domingo, 12 de fevereiro de 2006

DIA DE VOTAR/ DIA DE ORAR

Hoje escolhe-se o novo Presidente da República, depois de uma campanha morna, que no seu término ficou marcada por algumas tragédias (acidentes de viação vitimando apoiantes dos dois candidatos).
Ao contrário de outras paragens, nas campanhas presidencIais em Cabo Verde, as candidatas a primeira dama continuam a entrar mudas e a sair caladas. Não há dúvidas, preparam-se bem para o papel decorativo que têm tido as primeiras damas de Cabo Verde.
No autocarro 10, oiço comentários soltos. Quem mais fala é uma miúdinha de seus 6 anos que na sua vozinha infantil explica, eloquentemente, que o PAICV é melhor porque fez mais do que o MPD. O engraçado é que todos calam-se para a ouvir. Uns com sorrisos nos lábios e outros com mal disfarçado mau humor. Uma mulher que desce do autocarro, desabafa: " Pelo menos toda essa chatice acaba hoje".
Domingo é dia de missa. E as igrejas continuam a estar sempre cheias. Mas faz-me confusão, quando passo, ver gente do lado de fora da igreja, alguns mesmo na praça (no Plateau), ou encostados a um muro próximo á capela (em Tira-Chapéu). E em amena cavaqueira. Mas...isso conta? Ir á missa não é ouvir as palavras do padre, rezar e benzer-se nas horas que se tem que rezar, comungar, ou seja, estar lá de corpo e espírito? Mas parece que agora só é preciso estar nas proximidades da igreja para se ficar com a consiciência livre por se ter cumprido o ritual de Domingo.Coisas.

5 comentários:

Pedro Gois disse...

Cara:

Li hoje seu blog (descobri-o apenas recentemente) e acho a fábula da criança preciosa (sobretudo no autocarro 10). Quanto à missa e às eleições, como para quase tudo na vida, uns acreditam e outros limitam-se a acreditar nos outros.

Silvino disse...

Desde ontem, tenho tido algumas diiculdades em aceder à tua página. Pensei que ele já tivesse pegado a doença do meu "velhinho" NÓS MEDIA -):. Mas, agora já entro aqui sem problemas.
Olha, boas orações, bons votos. Não digo boa sorte para o teu candidato por não sei se "o" tens. Mesmo que soubesse não dizia na mesma. -): Os meus votos de Boa Sorte neste momento vai mesmo para CABO VERDE.

Kamia aka Chissana Magalhães disse...

Olá Pedro, obrigada pelo seu comentário. Não sei se ao dizer fábula tinhas essa intenção, mas o que aqui relatei aconteceu mesmo. No meu amado/odiado autocarro 10 acontece e ouve-se de tudo :)

Silvino, és sempre bem-vindo. Não notei nenhum problema por agora e espero que continues a aceder ao meu blog sem problemas. Ah! Ainda não te dei os parabéns pelo novo Nos Media que está muito catita.
Quanto ás presidenciais...concordo, quem mais precisa de sorte é Cabo Verde. Já estão encontrados os vencedores, agora é por mãos á obra e mostrar se mereceram esta segunda chance.

Domingos disse...

Olá Kamia!!! Visito muito regularmente o teu blog e gosto muito do conteúdo.
O meu comportamento na igreja, antes de me tornar Ateu, assemelhava-se muito ao que descreveste neste post. Marcava a minha presença mesmo não havendo lugares desponíveis dentro da igreja e levava comigo pra casa a prova(Água Viva) da minha participação na missa.
Dava tudo para poder ter a minha fé de volta, porque acredito que o que se prega na missa -quando o Padre tem o dom da retórica- é bastante instrutivo.

Peço desculpas por este comentário longo... apenas quis deixar aqui o meu feedback para que saibas que o que escreves tem muito interesse.

Kamia aka Chissana Magalhães disse...

Domingos, não tens que pedir desculpas. Esteja á vontade para comentar o quanto quiseres :)
Quanto ao que dizes sobre a fé, parece-me que ainda a tens e eu acho que não é o fato de ires ou não a igreja que a torna menor ou maior. Mesmo porque se se vai á missa para sentar na praça a conversar, não prova que a pessoa tenha mais fé do que aquele que prefere fazer as suas orações em casa.
Quanto aos discursos dos padres, eu penso que mais importante do que ter o dom da retórica é o conteúdo desses discursos. Hitler (atenção, não estou a compar os padres a Hitler) tinha o dom da retórica mas o conteúdo dos seus discursos não eram lá muito nobres...mas percebo o que queres dizer. Quando eu ia á missa havia dias em que as palavras do padre serviam de bálsamo,davam animo.
Pena que a maioria preferia o tom acusador e condenatório...