sexta-feira, 5 de maio de 2006

Djarfogo III e prometo que já me calo com o assunto


Praia D'Aguada, o barco em que viajei. Muito confortável.


Já deve ter transparecido aqui o quão encantada fiquei com esta ilha, e o encantamento começou logo á chegada quando fui recebida com tanta simpatia pela minha hospedeira. As pessoas da ilha do Fogo são o exemplo acabado da afamada morabeza crioula. Gentes simples e tão, tão simpáticas. Em cada rua um bom dia dado com verdade. Pessoas que nunca vi a sorrir para mim calorosamente. Se perguntava uma direcçã recebia solicitude, disponibilidade, simpatia, simpatia, simpatia...
Em tantos dias de festas não houve registros de incidentes graves. Dois rapazes engalfinharam-se durante uma das actuações musicais, mas foram prontamente separados. Eram daqui de Santiago. Ah, houve sim uma briga entre duas raparigas que disputavam o mesmo namorado :) Mas acabou tudo em bem.
As ruas de São Filipe são tão limpas e as casas tão bonitinhas, bem arranjadas e pintadas que o centro da cidade - a que chamam Bila Baxu- parece um cartão postal, com as suas pracinhas encantadoras. A maior delas é o Presídio. É bonito, tem uma vista soberba com o mar a perder-se no horizonte e vê-se a pequena ilha Brava ao longe (perto!). Gostaria de ter podido conhecer o Presídio come ele era. As pessoas de lá parecem estar satisfeitas com as obras recentemente feitas embora, uma ou outra voz se levante para falar de destruição de património. Bem, eu senti-me emocionada mesmo assim, por estar no Presídio tantas vezes descrito por Teixeira de Sousa nos seus livros. Mas, realmente, neles nunca falou de um chão azulado e de grades nos murros.
Os sobrados (as casas antigas de estilo colonial) são outros dos ex-libris de São Filipe. Belos. Um deles é a Casa da Bandeira onde estive por duas vezes. Ali, no quintal várias mulheres atarefavam-se na preparação do almoço para os convidados ou simples curiosos que lá foram conhecer. Mas o almoço oficial da Casa da Bendeira, no dia 1 de Maio ( patrocinado pela familia que neste ano era a detentora da bandeira de S. Filipe) era mesmo só para os convidados. Achei tão peculiar que, enquanto os convidados percorriam as longas mesas cheias das mais diversas delicias, os batucadores no meio da sala rufavam os tambores, tocando o colá de Nhô San Filipe.
Na rua, uma pequena multidão acotovelava-se para tentar entrar. Parece que as gentes de S. Filipe não ficam muito satisfeitas de que o almoço seja privilégio apenas de uma certa "elite" e maioritariamente de gente que vai daqui de Santiago. Ouvi reclamações e comentários que me deixaram a impressão de que no Fogo, talvez por ser um meio mais pequeno, há muito essa coisa de guentis importanti, familias grandes.
Outra impressão negativa que trago desta viagem prende-se com a promiscuidade. Deu para sentir. Há muita e envolve meninas muito novinhas, quase púberes. Mas a promiscuidade, nestes dias de Nhô San Filipe, também foi de barco e avião.
Ainda assim o meu encanto por São Filipe, ultrapassa as festas. Sei que gostaria de lá mesmo sem as festas. E é por isso que quero voltar, com mais tempo. E dessa vez, ir ao vulcão!

4 comentários:

Palavra Imagem disse...

Trabalhei em S. Filipe durante um ano, e esta tua descrição da cidade e das gentes faz-me saudades...

Anónimo disse...

Não vejo o porquê da necessidade de identificar os brigões como sendo de santiago - bastava dizer que não eram do fogo. Badiu sta-bu trabesadu na garganta, sima nu ten stadu ta odja na kiston di kriolu! A prupózitu - dja bu sta na skola?

Kamia aka Chissana Magalhães disse...

Se os brigões fossem da Brava eu diria que eram da Brava, se fossem do Sal também diria e por aí fora...só disse que eram de Santiago porque...eram!
Badiu ka stam trabesadu na garganta anónimo. Si bu ka sabi, ami é badia." Nu ten stadu ta odja...". " Nu" kenhi?!? Dja bu bira dos? De restu, sta parcem ma bu sta um bocadu paranóico.

Agnelo VA disse...

Apenas uma achega aos comentários da sua estada pela ilha do Fogo. A casa das bandeiras não é um sobrado, uma casa térrea que em tempos serviu de alfândega da ilha, mais tarde funcionou a repartição das finanças da ilha.
Pena não ter visitado a Ká Dja'r Fogo, fica o convite para a sua próxima estadia Ag