segunda-feira, 8 de maio de 2006

Perto, mais perto

Closer (Mike Nichols, 2004, baseado na peça de Patrick Marber)

Closer conta a história de quatro pessoas cujas vidas se cruzam em Londres dando origem a um quadrado amoroso. Dan (Jude Law) conhece Alice (Natalie Portman) e os dois passam uma manhã a apaixonar-se. Um ano depois Dan e Alice vivem juntos e ele conhece Anna (Júlia Roberts) por quem se apaixona durante uma sessão de fotografia. Passa-se outro ano e Dan reencontra Anna que entretanto está a namorar com Larry (Clive Owen, so charming!). Larry, por sua vez, sente-se atraído por Alice. Um ano depois os dois descobrem que estão a ser traídos por Dan e Anna. Estes deixam os respectivos companheiros para ficarem juntos. E as trocas entre os dois casais sucedem-se até que Dan volta para Alice e Anna para Larry. Mas...
O filme fala de amor, de sexo, das mentiras e verdades de que vivem (e morrem) as relações. Qual é o momento em que nos apaixonamos? É possível estar apaixonado por uma pessoa enquanto se ama outra? Porque se trai? Como? Há um momento em que é possível evitar a traição. Quando? O sexo com outro/a sem amor é mais ou menos traição do que amar esse outro/a? Deve-se contar a verdade? Há mentiras que devem se manter? Pode a verdade matar o amor? É-se capaz de deixar alguém que se ama? Essas e outras são as questões que Closer levanta (pelas vozes e pelas atitudes dos seus personagens).
Closer é um filme/teatro magnificamente filmado em Londres, cujos diálogos são de uma riqueza e ritmo empolgantes. E é exactamente nos diálogos que sobrevive a essência de peça teatral que dá todo um encanto especial a Closer. A interpretação do quarteto de actores é fabulosa, se exceptuarmos Júlia Roberts que não consegue deixar de ser ela mesma. Nunca pensamos que estamos a ver e ouvir Anna, e sim Júlia Roberts a fazer de Anna, percebem? Natalie Portman confirma todo o seu talento e carisma, tão peculiares, numa interpretação…desarmante. Clive Owen também é muito bom e ilumina o tom cinzento da história com um delicioso humor subtil, nada forçado. Tem com Portman um dos melhores momentos do filme numa cena memorável numa private room de um bar de streep .
Um aparte para a música que abre e fecha o filme. Arrepiante. Viciante. E tão bem casada com o filme. Será sempre impossível pensar no filme sem lembrar a canção/choro de Damien Rice e vice-versa.

2 comentários:

Pura eu disse...

Fiquei com uma vontade de ver o filme!... um bom retrato, este que fizeste.

Mário Almeida disse...

Vou ver, embora tenha já uma antevisäo tua mais do que elucidativa.