Já há algum tempo que me dei conta disto e venho pensando no assunto. Há menos tempo, encontrei meia dúzia de pessoas que confirmaram, é verdade. Entre elas uma pessoa que já viveu em três países diferentes, isto é,pode fazer uma comparação com alguma base. Essa pessoa também confirmou: nós, os cabo-verdianos, somos demasiado melindrosos. Fervemos em pouca água, chateamo-nos por qualquer coisinha, mandamos alguém para a lista negra “por dá cá aquela palha”. Se Fulano diz A e Sicrano diz que não concorda, que é antes B…pronto. Fulano chateia-se a valer, compra uma briga com sicrano, dedica-lhe ódio de estimação e encara como missão para o resto dos seus dias confrontar Sicrano e fazer tudo o que lhe for possível dentro dos limites da legalidade (e não exactamente da moralidade) para "azucrinar" a existência de Sicrano.
Somos umas florzinhas de cheiro que não aguentam nem que alguém diga publicamente que pensa ao contrário de nós, quanto mais alguém fazer do nada um comentário que não nos agrada. O normal seria chatearmo-nos um pouco, desabafar com o amigo do lado e depois…vida que segue. Mas por estas bandas o “deitar para trás das costas” é coisa que não abunda. Por qualquer treta é ver pessoas alimentando odiozinhos e partindo para a vendetta.
Há variantes de vendetta: intervir com uma posição do contra cada vez que o “inimigo” abre a boca para manifestar uma opinião é cretinice, mas aceita-se. Excluir o nome do “inimigo” de uma lista qualquer é infantil, mas aceita-se. Já o recrutamento é coisa vil e de baixo nível. Como assim recrutamento? Recrutar, oras…dedicar-se a fazer campanha contra o “inimigo” junto de outras pessoas para conseguir o máximo de opiniões negativas possíveis acerca deste. Claro que só é recrutado quem já tem uma predisposição para antipatizar com o inimigo ou não consegue formar a sua própria opinião. E há também quem nem precise de ser recrutado. O facto de serem amigos do ofendido leva-os a imediatamente tomar as suas dores, no mather what.