quinta-feira, 29 de março de 2007

Ainda os "Big Portugueses"

A Margarida escreveu n' Os Momentos sobre a vitoria de Salazar n'os Grandes Portugueses. Nao com o meu tom light e de parodia - ora essa! -, antes com preocupaçao e atribuindo (i) responsabilidades.
Eu que também deparei com o tal programa acidentalmente (pensava que o concurso tinha terminado no final de 2006) nao o levei tao a sério. Aquilo era obviamente um bigbrother, com direito a confessionario e tudo. So que, nao estando vivos, os concorrentes eram representados por outros. E como em qualquer bigbrother que se preze, ganhou o Zé Maria. Leia-se, aquele que à partida ninguem gosta e no qual todos malham. Dai que o povinho português que costuma votar nestes espectaculos circenses, sem a devida noçao do que foi o fascismo e o que de facto representou Salazar, escolheu o seu heroi.
That's my point.
Agora quanto a questao da escravatura (curiosamente, foi exactamente o que eu comentei com a minha mae: que se tinha pedido desculpas ao mundo pela inquisiçao e o holocausto mas nunca pela escravatura) seria ainda mais arrepiante para mim ver os presentes ( entre os quais Paulo Portas) a debater a escravatura num programa como aquele.
Penso que se tudo isso serviu para alguma coisa, de facto, tera sido para questionar o papel das televisoes. E ja que Margarida chamou a TCV ao barulho, mencionou igrejas que usam a TV como veiculo e o debate parlamentar, aproveito para comentar o que ha dias me ocorreu ao ouvir o debate sobre a Comunicaçao Social na RCV: Cabo Verde é provavelmente o ultimo dos paises onde a televisao do Estado emite semanalmente a missa catolica. Nao sou expert no assunto mas julgo estar regulada na Constituiçao a separaçao entre igreja e Estado.
E eu sou catolica (ou pelo menos era até ha uns seis anos atras). E dito isto provavelmente serei excomungada.


3 comentários:

Pura eu disse...

Olá, Kamia. Eu até não questiono a emissão de missas católicas pela TCV.
Este país professa de forma expressiva o catolicismo, e os valores desse credo não ferem principios instituidos, sejam políticos, sociais ou outros. E acredito que a TCV não vincula o Estado (instituição) ao catolicismo quando emite as missas, mas sim ao povo.
De outra forma, podiam ser questionadas. A história de Cabo Verde caminha lado a lado com a Igreja Católica(para o bem e para o mal).
As profecias encobertas a que refiro no meu post nada têm a ver com Cabo Verde.
Contudo, concordo que a Televisão enquanto veiculo de poder precisa ser debatida em Cabo Verde... e o nosso parlamento acabou de desperdiçar mais uma oportunidade de ouro.

Filinto Elisio disse...

Kamya,

Nada contra as missas católicas na Televisão Pública, desde que haja a mesmíssima abertura em relação a outras igrejas, seitas e religiões. Sendo o Estado laico e republicano, ele tem de estar aberto aos sentimentos e manifestações, inclusive teofísicas, do povo. Um programa pode sim ser católico, nazareno, muçulmano ou outro, a Estação é que terá de ser isenta e aberta. Acho que a RCV também emite (e bem)a liturgia da Igreja Universal. Embora não seja praticante e sinta a religiosidade mais na meditação que na missa, respeito a diversidade da fé cabo-verdiana, expressa nos media cabo-verdianos.

Kamia aka Chissana Magalhães disse...

Desculpem a demora nas respostas; estive ausente da rede por uns dias.
Margarida, eu sei a que profecias te referias. Apenas aproveitei o teu comentario para fazer um gancho e mencionar algo que ja me vinha ocorrendo ha algum tempo.
Obviamente que nao tenho nada contra as missas catolicas na televisao do estado. Como se costuma dizer nao me aquece nem me arrefece(ja a coitada da minha vizinha que é testemunha de jeova fica bastante ralada quando começa a missa e desliga a TV).
Penso que é sim questionavel porque o facto de teoricamente a maioria dos cabo-verdianos serem catolicos nao justifica o tratamento previligiado. É uma instituiçao do estado por isso tal nao devia acontecer.
O que aconteceria se a Igreja do Nazareno, os Adventistas, as Testemunhas de Jeova que, creio, tb nao andam por ai a ferir principios fossem solicitar o mesmo tratamento? A TCV argumentaria com isso da maioria? Mas isso esta estabelecido na lei?, nos estatutos da TCV ("o credo que obtiver a maioria dos fieis tera direito a um programa semanal"...)?
So penso que abrir excepçoes mesmo quando com boas intençoes pode nao ser muito correcto.
Bem, no fundo todos sabemos o poder que a igreja catolica tem, portanto a tal horinha na TV esta mais do que justificada.

O Filinto considera que os nossos medias expressam a diversidade da fé. Eu penso que o cenario ja foi pior, mas ainda assim o poderio da igreja catolica é notorio e dificelmente este estado de coisas ira mudar.Pelo menos nao serao os comentarios atrevidos desta faladeira a causar qualquer alteraçao.

Abraços