segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

The End


Fim do ano 2007.

Desejo a todos uma passagem feliz e um 2008 com muita saúde, paz e amor.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Mataram-na.

Benazir Bhutto
Lembro-me de quando era ainda criança vê-la nos telejornais. Não sabia bem quem era e nem o que se passava mas admirava-a: uma mulher primeira ministra. Achava o seu nome exótico e repetia-o como só as crianças repetem as palavras misteriosas que descobrem. Com o tempo a admiração foi crescendo. Ser mulher não é fácil. Ser mulher lá onde ela o era e fazendo o que ela fazia...
Toda a gente dizia que haviam de matá-la. Um dia desses matam-na.
Mataram-na. Mataram a mulher muçulmana que lutava por um país melhor. Que se atrevia a ombrear com os homens poderosos, donos de exércitos, cães de guarda dos donos do mundo.
Mataram-na e com ela um punhado de sonhos, uma coragem do tamanho do mundo.

Retrato falado

Interessante o Djoy ter ido buscar, lá no Fladu Dja Dura, o meu primeiro post ao voltar a Cabo Verde.
O retrato que eu fiz na altura quase que permanece o mesmo: desenvolvimento por um lado (basicamente no que se refere às infraestruturas e serviços) mas por outro...caos (principalmente no social).
De resto, estamos em época de retratos à nação, que na hora de pôr o dedo na ferida se confunde com Praia, não fosse a cidade capital a que dita o ritmo do arquipélago: O César fez o seu no A Semana.cv e o Liberal importou um artigo dum jornal francês que deixa qualquer um de coração apertado.
Sempre que alguem fala/escreve de Cabo Verde em termos negativos a coisa é politizada; é porque a pessoa só pode ser da oposição para estar a apontar os podres. Bem, se não ficou já bem claro nos quase quatro anos deste blog, digo-o aqui com todas as letras: eu não tenho partido político. Não sou PAICV, nem MPD. Claro que admitir isso não irá propriamente abrir-me portas (porque normalmente só admite isso quem já está bem instalado na vida e já não precisa de ter connections). Mas provavelmente também não as irá fechar já que eu não passo de uma joana ninguem.
E é como joana ninguem, sem partido político, sem religião e até mesmo sem clube de futebol (caí em mim e percebi que é rídiculo estar a torcer por um clube só porque, no tempo dos meus pais, o meu país fazia parte de outro país e aí por diante...se deixámos de decorar os nomes dos seus rios porque raio não havemos de nos desligarmos dos clubes? Está bem, o facto do Benfica hoje em dia estar uma bosta também contribuiu para a minha epifania!).
É como joana ninguem dizia eu, que infelizmente tenho que dizer que há muita verdade no retrato escrito de Cabo Verde feito pelo tal jornal francês.
Há gente a delirar com dígitos a mais e a menos e a exibir mega projectos, a falar em sofisticação e que simplesmente não admitem ouvir falar das fossas a céu aberto, das valas cheais de lixo, das vacas que se passeiam nas ruas principais, da violência dos assaltantes, dos meninos de rua que vagueiam pelo Palmarejo e pelas rua do Mindelo a pedir moedas, dos desempregados...porque se falas disso és do raio da maldita oposição!
Eu sou oposição sim. Eu me oponho a que nos deixemos deslumbrar pelos elogios das entidades internacionais, eu me oponho a que os ganhos em determinadas áreas nos façam fechar os olhos às fragilidades de outras, eu me oponho a que nos contentemos com estradas asfaltadas e aeroportos novos quando o lixo torna cidade da Praia tão feia e em São Vicente os jovens se ficam pelas esquinas, sem trabalho. Eu me oponho a que Maio, S. Nicolau e Brava sejam esquecidas e avancem a passos de caracóis. Eu me oponho a que durante três anos e meio pouco se faça e em vésperas de eleições comecem a "pipocar" obras. Eu me oponho a que os da oposição passem anos a criticar e quando/se lá chegarem façam exactamente o mesmo.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Da Manifestação

Ontem lia o Expresso das Ilhas online e chamou-me a atenção uma notícia sobre uma marcha de estudantes para protestar contra a criminalidade e, mais particularmente, contra a morte de um colega (assassinado durante o festival que aconteceu fim de semana passado na Gambôa). Segundo o texto, houve uma participação massiva e, como não podia deixar de ser, estabelece comparação com a manifestação contra a violência organizada por um grupo de cidadãos e publicitada nos blogues.
Por razões de natureza pessoal ,eu ( que já tinha saído de casa a caminho do ponto de encontro) não fui a manifestação, para a qual cheguei a preparar o meu cartaz, e só na segunda-feira ao ver imagens da RTP África comprovei a fraca participação. Mesmo assim não acho que tenha sido um fracasso total porque pelos menos falou-se no assunto e mesmo quem não foi não terá ficado indiferente à coisa.
Alguem que comentou o texto do Expresso disse que dirigia-se ao local com amigos para participarem mas quando perceberam que a pessoa X estava à frente da manifestação desistiram...
Bom, claro que é lamentável que alguem desista de apoiar uma causa em que acredita só porque não morre de amores por alguem que está metido no assunto. Mas isso levou-me a pensar naquilo que eu já tinha referido: tentar não fazer destas iniciativas uma coisa de uns quantos (maioritariamente estigmatizados com o rótulo de elite) e sim engajar devidamente toda a população. Porque não envolver a Pró-Praia e outras associações e ONGs, as escolas, os líderes comunitários, as igrejas...
No entanto, é vergonhoso que as pessoas fiquem em suas casas e escritórios porque quem está à frente da iniciativa é "aquela malta do costume, que quer estar metida em tudo". Putz.
E também não ajuda nada estarem a associar estas iniciativas a motivos políticos. Era o que faltava: agora não se pode protestar contra caçu-bodi sem se ser rotulado de agitador político?!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Do Cinema

*A temporada de prémios de cinema nos EUA já começou e hoje foram anunciados os nomeados para os Globos de Ouro (tidos como um dos maiores indicadores do Óscar). Parece que a temporada de estreias de outono foi tão boa que favoritos aos prémios é o que não falta.
Eu por cá vou aguentando como der a expectativa de deitar os olhos a Sweeney Todd. Em quase todas as cinco vezes (com esta seis) que o meu querido Johnny Depp se juntou a Tim Burton resultaram filmes que entraram para a minha colecção de favoritos (por exemplo: o fabuloso Eduardo Mãos de Tesoura, o mais belo filme de terror A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, e mesmo a delícia que é a animação A Noiva Cadáver). Agora os dois juntaram-se para filmar um musical que sempre despertou a minha curiosidade: já ouvi falar tanto de Sweeney Todd, que esteve em cena na Brodway durante anos e anos, que mal posso esperar para o ver, ainda que seja no cinema.

Há também There Will Be Blood, que me trás de volta um autor que nunca me decepcionou (Paul Thomas Anderson) e aquele que continua (desde Em Nome do Pai) a ser um dos meus actores favoritos e que acredito piamente ser dos melhores do mundo: o irlandês Daniel Day-Lewis.
* O que fazer quando ficamos totalmente apanhados por uma música, só que é a música que passa nos créditos finais de um filme?

a) Podemos mandar um mail a aquela amiga que vive na “metrópole” e tem acesso a uma loja onde se pode comprar bandas sonoras de filmes.

b) Podemos pedir àquele amigo pirata informático que nos saque a música da net.

c) Entretanto, podemos pôr o filme no dvd várias vezes ao dia e carregar “farward” até aos créditos finais e ouvir a música over and over again.

O Mundo é Estranho



De vez em quando aparece em algum blog da bloguesfera crioula um tipo de post que me intriga: um post a negar tristeza. O blogueiro da ocasião escreve o post em resposta a algum comentário que lhe fizeram (no blog ou por mail) a garantir que não, não está triste.


Ele/a pode realmente não estar triste mas isto é algo de que me dei conta há muito: algumas pessoas têm mesmo relutância em assumir a tristeza. Como se fosse um sentimento torpe e indigno do ser humano. Como se fosse algo de que nos devessemos envergonhar.

Lembrei-me agora de uma vez em que encontrei um amigo visivelmente abatido e perguntei-lhe porque estava triste. Respondeu-me vivamente: Eu não estou triste! Eu não sou pessoa de estar triste! Estou só um pouco cansado e a pensar numas coisas...

E o mais estranho é que este meu amigo não sente o mesmo pudor quando admite, entre um arroto e outro, que está perdido de bêbado. Ou seja, estar bêbado é mais digno do que estar triste.


Este mundo é tão estranho que agora é proíbido sucumbir-se à tristeza vez por outra. Ou se calhar a questão é tão somente não assumir publicamente. Podemos estar com alma aos prantos porque alguem nos partiu o coração, porque temos saudades da familia lá longe, porque o trabalho vai mal, o marido é um sacana, estamos sem dinheiro, o nosso gato morreu, há fome no mundo, uma bomba matou 3000 pessoas... mas tudo o que importa é não deixar o mundo se aparceber disso, porque de repente a tristeza é algo de que nos devemos envergonhar.
Daí que às vezes eu também me pergunto se a vida é assim tão fácil para os outros ou se eles apenas são melhores a fingir que sim.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Update

Do post das sondagens. Por alguma razão que ainda não consegui descortinar (cada vez tenho menos paciência para o blogger e os seus mistérios) não consigo publicar uma sondagem com mais de cinco campos de opção. O que estraga a ideia de propôr a votação do melhor blog de 2007, que incluiria um mínimo de dez candidatos.
Aviso que não vou quebrar muito a cabeça para resolver isso, pois no fundo é só uma brincadeira. Mas se não conseguir publicar a lista através da parafernália da sondagem simplesmente ponho os candidatos num post e convido quem quiser a votar na caixa de comentário e/ou mail do blog.

Post eco

Um eco aos posts publicados no Pedrabika, SondiSantiagu e De Olho na Praia.

Coincidentemente, domingo ao fim da tarde eu e uma pessoa amiga conversavamos sobre a insegurança que se vive nesta cidade. O como fomos abdicando de tantas coisas que faziam parte das nossas rotinas (um simples passeio a pé ao fim da tarde é quase suícidio); a sensação de abandono, de estarmos por nossa conta, já que a policia não consegue (não tenta?) controlar a onda de assaltos; e a motivação destes dilinquentes, que em muitos casos já têm nos caçu bodi um estilo de vida.

Eu parabenizo e alinho na iniciativa dessa marcha contra a violência e espero que se faça uma divulgação massiva (na rádio, TV, jornais, cartazes nas escolas, boca a boca) para se conseguir o maior número possível de pessoas. Tem que se conseguir mobilizar uma grande fatia da população praiense (tarefa hercúlea, reconheço) e não apenas umas quantas dezenas de vitimas de assaltos, suas familas e amigos que receberam o e-mail ou leram os blogues indicados. Esta é a oportunidade de mostrar aos governantes que já chega de passividade, de permissividade. Cem, duzentas ou quinhentas pessoas não podem ser as únicas que se importam com essa situação. Há que conseguir uma verdadeira multidão (do tipo das que enchem os festivais de música) para fazer ouvir bem alto o grito de socorro. Sim porque é por socorro que tem que se pedir, alguem que nos acuda.

Assino por baixo mas faço também questão de levar um cartaz que diga qualquer coisa como: Sociólogos, Psicólogos e Assistentes Sociais nos Bairros Carenciados Já ! Ou então: Politica de Reinserção Social (a sério) Precisa-se.
Dia 14 de Dezembro
Marcha contra a violência na cidade da Praia
Concentração: Gamboa
Horário: 18 horas

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Sondagem fechada/Sondagem aberta

Bem, a sondagem do So Pa Fla não chega a ser representativa do que pensam os cabo-verdianos mas, pelo menos fiquei a saber que a maioria da vintena de pessoas que têm votado sabe que Cabo Verde é África.
Mais uma vez, obrigada por votarem.



E abre em instantes a derradeira votação do ano, que vai ficar aberta por mais tempo de que o habitual. Seria giro se toda a bloguesfera e público da bloguesfera votasse para dar um tom mais oficial à coisa.Seria.
Aí vai então...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Soltas


* Relembrando os Mestres. O cd de Bau e Voginha já foi lançado na Praia e já toca lá em casa. Muito bom. Sublime a limpidez do som dos violões e a harmonia que se pressente entre os dois músicos.

É assim que se prova ter talento. Bau e Voginha não tiveram que fazer barulho e resmungar por aí. Tocaram, o seu talento foi reconhecido e premiado. Não, na verdade nós é que somos premiados com o talento dos dois ao alcance dos nossos ouvidos.



Legendas. O Abrãao convida o pessoal a ir ver o Bento Oliveira (convite que eu recomendo toda gente a aceitar) e dá uma alfinetada bem-humarada a apropósito da história de se entender ou não o crioulo de todas as ilhas.

Fico verdadeiramente contente com todos aqueles que entendem tudo tudinho do que se diz no crioulo de todas as ilhas. Pela minha parte repito, sem nenhum orgulho mas também sem vergonha, que não entendo todas as palavras do crioulo (seja de que ilha for). Ainda no outro dia o César teve que me explicar o que é bianda que, pasme-se, é crioulo de Santiago.

Claro que numa conversa eu consigo perceber (pelo contexto) aquilo que me diz qualquer cidadão destas ilhas mas, repito, não percebo todas as palavras. Estou aqui a lembrar-me a primeira vez que vi uma peça dos Juventude em Marcha (grupo teatral de Santo Antão) na TV. Não entendi quase nada.



The Gang of Eight. No outro dia falava dos livros que trouxe lá da doação dos americanos e esqueci-me deste. É um livro que reúne o melhor de oito dos maiores cartoonistas politicos de sempre, dos EUA: Tony Auth (do Philadelphia Inquirer), Paul Conrad (do Los Angeles Times), Jules Feiffer (do Village Voice), Jeff MacNelly (do Chicago Tribune), Doug Marlette (do Charlotte Observer), Mike Peters (do Dayton Daily News), Paul Szep (do Boston Globe) e Don Wright (do Miami News) escolheram cada um vinte dos seus melhores cartoons para este livro organizado por Tom Brokaw (figurão da NBC News).

O livro é obviamente muito divertido, fazendo uma sátira brilhante à política interna e externa dos EUA, bem como a questões sociais (como o racismo, desemprego, aborto, ect). Porém, o que achei incrível é que ele foi publicado em 1985 mas muitos dos cartoons continuam tão actuais e outros quando confrontados com o presente assumem um novo significado, tornando-os por vezes ainda mais engraçados.

Num dos cartoons de Paul Szep vê-se uns iranianos vestidos à homem das cavernas, a desenharam fórmulas quimicas na parede de uma caverna. A legenda diz qualquer coisa como: Os iranianos afirmam que podem fazer as suas próprias armas quimicas.

Caso para se dizer, vinte anos depois...who's laughing now?

Mil Palavras




O Mundo é Estranho

Um grupo de mulheres indianas que se autodenomina gulabi gang, ou gangue rosa ( por usarem saris cor-de-rosa), juntou-se na região de Banda, norte da Índia, para fazer justiça com as próprias mãos.
Elas já deram surras em homens que abandonaram ou bateram nas suas mulheres, e denunciaram práticas corruptas na distribuição de comida aos pobres. Quando necessário, as senhoras usam paus e machados para defesa.
Banda fica numa das áreas mais pobres da Índia e na sua sociedade, baseada em castas e dominada por homens, as mulheres sofrem muito com a violência sexual e doméstica.
Como diria Fernando Pessa, e esta, hein?

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Sondagem fechada/Sondagem aberta

Sem surpresas, a sondagem com a política por tema não teve muito feedback. Não sei se por causa do tom humorístico (eu realmente sou uma falhada a nível de humor, nunca consigo fazer ver às pessoas o tom cómico...), por desinteresse pelo tema, ou por medo de algum vigilante online a controlar as respostas.
Wathever!

Nova sondagem é aberta em instantes.

Debate

Estive um tanto out da bloguesfera estes dias e perdi duas discussões interessantes:
A do PedraBika sobre as afirmações cada vez mais desconcertantes e paternalistas de Mário Soares sobre Cabo Verde (que realmente já mercem um Porqué no te callas?) e a do SondiSantiagu acerca do post da Eileen sobre a lingua badiu.
É realmente surpreendente alguem usar o argumento da diferença cultural para dizer que Cabo Verde não é África. Como se todos os países africanos fossem iguais e tivessem exactamente a mesma cultura. Parece que estas pessoas se esquecem que outros países africanos também foram colonizados e que estes, mesmo sem serem desabitados quando os colonizadores chegaram, também sofreram influências europeias, a ponto de muitos deles também serem hoje "europeízados", mantendo simultaneamente muito da sua cultura original.
A essas pessoas pergunto qual das ilhas de Cabo Verde não é Cabo Verde por ter uma cultura diferente? Sim, as ilhas têm a mesma origem mas têm também diferenças culturais entre sí. E então, alguma delas não é Cabo Verde por isso? Pois bem, o mesmo se aplica à relação Cabo Verde/África.
Enfim, esta é uma discussão que nem deveria existir mas, por causa de preconceitos e complexos levianos, aparece gente a ancorar-se naquela de "não somos África nem Europa, somos Cabo Verde".Triste.
Quanto à discussão sobre o post da Eileen, ou melhor, quanto ao post da Eileen... Há dias, assistia a um programa na RTP África onde uma estudiosa explicava a relutância de alguns em assumir o crioulo como lingua (preferindo referir-se-lhe como dialecto). Concordando nós que o crioulo é lingua, o crioulo badiu não pode ser sozinho uma lingua. Creio que aí a Eileen se expressou mal.
Fiquei a perguntar-me se a medida da TACV referia a obrigatoriedade de se usar a variante de Santiago (aí está aquela velha questão para a qual já chamei a atenção aqui neste blog). Creio que cada hospedeiro deveria ser livre ( e provavelmente assim é) de usar a sua variante de crioulo.
Vivi quatro anos em Assomada e quando voltei para Praia claro que trazia na ponta da lingua o sotaque di fora. Pois bem, os meus primeiros meses no liceu foram uma tortura: os meus colegas da cidade fartavam-se de me gozar quando abria a boca para falar. Só para verem que até dentro da mesma ilha existem "questões" com o crioulo.
Outra coisa: eu também não percebo tudo o que se diz em crioulo de Santo Antão, S. Vicente, Fogo, Brava...mas acho que se eu fizesse um esforçozinho poderia aprender mais, como faço com o português, inglês, francês.

Fora de Prazo

O Asemanaonline noticia hoje a denúncia da ADECO sobre um produto que está a ser comercializado fora de prazo em São Vicente.
Na verdade, esta é uma situação comum e não só em S. Vicente. É prática recorrente dos mini e supermercados "esquecerem-se" de recolher das prateleiras produtos cujos prazos estão ultrapassados. Outra modalidade é esperar pela recta final do prazo para colocar os produtos em promoção. Aliás, em Cabo Verde não existem saldos a não ser que: a) a loja esteja para fechar as portas; b) faltem cinco dias para o produto expirar o prazo.
A "tchipeza" é tanta que, supermercados que lucram a bom lucrar, esperam que as maçãs e laranjas estejam passadas, murchas e pisadas para reduzirem o preço das frutas.
Ah, atenção que as lojas das bombas de gasolina também sofrem da síndrome de desantenção no que diz respeito às datas de validade.
Assim fica fácil construir megacentros comerciais.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Books

Sexta-feira passada (e também esta segunda e terça, parece-me) a Embaixada dos EUA esteve a doar livros do seu acervo. Eu fui até lá ( um armazém na Achada Grande) e no meio das muitas dezenas de caixas consegui um par de livros jeitosos: um sobre técnicas de redação, um livro de mesa com belas fotografias e textos poéticos, um livro de receitas do Mezzo Restaurant (considerado um dos melhores de Londres) que tem umas fotografias inspiradoras e alguma ficção (Mary Higgins Clark, Stephen King...).
A melhor parte - desculpem-me a falta de modéstia but... - é que confirmei que o meu nível de compreensão do inglês está cada vez melhor (tendo já despachado um dos livros de ficção em dois tempos). Também a expressão oral, graças às minhas conversas com o inglês do Palmarejo, tem melhorado consideravelmente. Quem dera que o meu francês estivesse nesse nivel, está a ganhar teias de aranha.
Antes de ler o Crunch Time tinha me deleitado com o negrume da escrita de Italo Svevo. Senilidade é o primeiro livro do autor que leio. Não tenho lido muitos autores italianos na vida. Ele escreveu o livro em 1898, pagando a edição do seu bolso. Na altura, ninguem ligou nenhuma ao livro até James Joyce ter lido as obras de Svevo e percebido o que ali estava. E o que lá estava, entre outras coisas era isso:
"Beijavam-se demoradamente, a cidade a seus pés, muda, morta, como o mar, que lá de cima nada mais era senão uma grande extensão de cor misteriosa, indistinta: e na imobilidade e no silêncio, a cidade, o mar e as colinas pareciam formar um único todo, a mesma matéria moldada e pintada por um artista excêntrico, dividida e cortada por linhas formadas por pontinhos amarelos, as luzes das ruas.
A luz da lua não lhes alterava a cor. Os objectos, cujos contornos se tornavam mais nítidos, não se iluminavam, velavam-se de luz. Pairava sobre eles uma luz branca e imóvel, mas por baixo a cor dormia, entorpecida, fosca, e até no mar, que agora deixava entrever o seu eterno movimento, brincando com os reflexos prateados à sua superfície, a cor se calava, adormecida. "

Das Séries

Rome, série da americana HBO em parceria com a BBC

Fiquei "pendurada" a escassos episódios do final da terceira temporada de Lost (que, a propósito, começou bem, esfriou a partir do quarto episódio e recuperou a qualidade justamente nos ultimos episódios disponíveis). Então resolvi matar saudades da primeira temporada. Mas agora voltei-me para Rome.

Já sabia da série há algum tempo mas, como tinha acontecido com Prison Break no início, não me despertou interesse. Porém, com a pausa em Lost e a falta de novidades, resolvi experimentar.

As conquistas de Júlio César, as intrigas, paixões e traições das personagens que o rodeiam é o mote. Mas César não é o protagonista. Na verdade, a protagonista é a fascinante Roma Antiga. E a dupla Lucius Vorenus/ Titus Pullo.

Claro que os criadores não estiveram com pudores e cada episódio é um festival de mutilações, fornicações, escravizações e outros ões por aí fora. Mas a série até que é boa ( afinal é da HBO, casa dos Sopranos e de Sete Palmos de Terra), tendo mesmo episódios muito bons. E tudo mérito do elenco de actores, quase todos execelentes intérpretes. Mas nenhum tão bom como os dois que eu já referi Vorenus (Kevin MacKidd) e Pullo (Ray Stevenson).

Ah! E há Outras Boas Razões Para Ver a Série: Mark Antony (não percebo porquê que ele é o único a não ter direito aos us no fim do nome, ficando com o nome em inglês), um colírio para os olhos. Assim que encontrar uma foto do actor que o interpreta, semi-nu, prometo postá-la, para felicidade geral da mulherada, e desgosto dos bofes e intelectuais. Rárárá!


O Mundo é Estranho

(E eu estou fascinada com isso, o que também é uma coisa estranha).
O "Porqué no se calla?" do rei Juan Carlos a Hugo Chávez é o hit do momento. A pergunta arrogante virou toque de telemóvel em Espanha, sucesso entre os adolescentes. No Brasil virou inspiração para um movimento político. E experimentem googlear a expressão para ver o resultado.

No Japão, um Spa oferece banhos de cerveja aos seus clientes milionários. Ai, sim?, pensaram os donos de um Spa no Azerbaijão. E trataram de oferecer aos seus clientes banhos de petróleo. Mas parece que nesse caso há razões médicas: os banhos, parece que curam artrite.

Nos EUA, a directora de uma escola proibiu abraços entre os alunos no recinto escolar.Tudo por causa das"filas para abraço" que se criavam e atrasavam os alunso para as aulas e tumultuavam os corredores.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O Mundo é Estranho



Estive uns bons minutos a tentar encontrar palavras para comentar isto (cliquem para ler o texto) mas as gargalhadas não me deixavam concentrar-me. Ai, o poder da superstição.

Politiquês

Agora que os big brothers da praça decidiram que não se pode emitir opinião sobre uma matéria sem que se exerça a profissão (ou se tenha doutorado) na área da respectiva matéria, vou fingir que não me estou a marimbar para eles e, antes de emitir a minha opinião sobre o assunto, deixo uma questão para os doutos (que provavelmente ficará sem resposta):
Quando uma edilidade anuncia obras de grande porte a serem levadas a cabo pela respectiva edilidade (e havendo contractos assinados e tudo) tal significa que só o edil que anunciou a obra pode concretizá-la? Se se der o caso de haver eleições e vencer outro candidato este não pode levar o projecto adiante?
É que tenho ouvido conversas que quase fazem crer que nem vale a pena eleições. Tipo, "está no papo." Como se uma venda negra tivesse sido posta nos olhos de todos, a partir do momento em que se anunciaram As Obras, e tudo o mais se tivesse tornado insignificante.

Sondagem fechada/Sondagem aberta

Fechou a sondagem sobre hábitos de leitura. Dezoito votantes, dos quais oito admitem só ler no máximo cinco livros num ano (agora fiquei curiosa por saber qual percentagem desses 44% lê um e qual lê cinco...), quatro que têm uma média de um livro por mês e seis que garantem ler mais de vinte livros num ano (e mais uma vez a curiosidade de saber quantos são esses mais de vinte... vinte e um ou cento e tal?).
Obrigada por votarem.
Por razões pessoais e profissionais gostaria que houvesse uma sondagem a sério sobre isso em Cabo Verde. Porquê que as universidades e os meios de comunicação social não encomendam sondagens e inquéritos aqui em Cabo Verde?

Vai abrir em instantes uma nova votação. Desta vez será sobre...

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Mil Palavras

Foto de Edith Borges

Ligações

Este post foi escrito antes de eu ver o Tropa de Elite. No filme brasileiro os maus da fita não são os traficantes (que, segundo o discurso do filme, têm a desculpa de terem nascido pobres e sem opções na vida), nem os policias corruptos (que, segundo o discurso do filme, se for honesto sai sempre f**d#$%do) e muito menos os policias da BOPE (que, pelo tom do filme, são uns heróis que têm mesmo é que matar os traficantes). O discurso do filme aponta como "maus da fita" justamente os betinhos da classe média, os viciados que alimentam o tráfico e são os únicos que não têm desculpa para fazer o que fazem.
Independentemente de concordar com o quinhão de culpa da classe média consumidora, não gostei do tom heróico dado ao Batalhão de Operações Policiais Especiais. O filme ao mesmo tempo que nos mostra os horrores cometidos por estes policias oferece - intencionalmente ou não - uma visão romântica do batalhão e parece concordar com os seus métodos.
Referi-me a Tropa de Elite no mesmo post em que me referi a Cães Danados, que tinha (re)visto na mesma altura. Os dois filmes terminam da mesma maneira (ATENÇÃO, SPOILER: quem não viu os dois filmes que não leia, se não quiser saber do fim antes de visioná-los): um tiro que não chegamos a ver se encontra o seu alvo ou não (o chamado final em aberto).
Por falar em Cães Danados, também este filme tem os seus pecados. Ou muito me engano ou percebi lá um certo subtexto racista. A dúvida é se terá sido uma opção artistica de Tarantino ou reflexos das suas convicções (hope not!).
Ou seja, temos dois filmes que são inegavelmente bons mas um resvala para um certo fascismo e outra para o racismo?

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O Mundo é Estranho

Na Finlândia (um país onde nunca se pensaria que algo assim pudesse ocorrer, não fosse o mundo...estranho) um jovêm matou a tiro oito colegas de escola e depois se suicidou. Detalhe perturbador: antes de fazê-lo gravou um video a anunciar o que ia fazer e youtubou-o, isto é, lançou-o no YouTube. Claro que o video já anda a correr mundo. Eu recuso-me a vê-lo.

No Brasil, duas estranhezas: uma mulher deu à luz mas garantiu que não sabia que estava grávida (tá di sacanagem!). Essa é, seguramente das coisas mais estranhas que acontecem no mundo. Ainda se fosse há 50 anos atrás... A outra coisa estranha, e que ilustra bem como a realidade supera a ficção: um angolano "mora" há 14 dias no aeroporto do Rio de Janeiro! Quem viu Terminal de Aeroporto do Spielberg?

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Do Cinema

Reservoir Dogs (Cães Danados) - de Quentin Tarantino, EUA, 1992
Este é daqueles filmes que nos fazem perceber o valor de um bom argumentista. Estes dias tenho-o visto e revisto. Ou melhor, tenho-o ouvido. Banindo as legendas e deleitando-me com os detalhes dos diálogos tarantinescos. A banda sonora dos 70's também vicia (poucos escolhem tão bem a banda sonora dos seus filmes como Tarantino). E o Mr. Blonde (Michael Madsen) nunca mais foi tão bom .


Tropa de Elite - de José Padilha, Brasil, 2007
Cidade de Deus mostrava com crueza o mundo dos traficantes brasileiros. Tropa de Elite mostra com crueza o mundo dos policias que vão atrás dos traficantes. Mas as comparações ficam por aí.
Ainda só o vi duas vezes, a primeira prestando mais atenção na história, a segunda nos aspectos técnicos. Gostei da contenção do realizador mesmo nas cenas mais explosivas. Gostei de Wagner Moura (Capt. Nascimento) e de André Ramiro (André Matias).
E, mesmo antes de ler este texto, dei por mim a reflectir que se continuarmos por este caminho, um dia teremos BOPEs (batalhão de operações policiais especiais) a subir as nossas favelas.

Casa de Lava - de Pedro Costa, Portugal, 1994
Vi este filme há anos na RTP2. Na altura não sabia quem era Nhô Raul Andrade (que é um dos protagonistas do filme), nem reparei em Tcheka a acompanhar o pai e os irmãos nas sequências musicais.
O cenário esmagador que é o vulcão fez-me admitir mais uma vez que ir ao Fogo sem ter passado por Chã das Caldeiras é algo que tenho que corrigir em breve.
Actualmente está em voga a re-edição de filmes, com melhoramentos a nivel técnico. Espero que aproveitem para melhorar a sonoplastia, a iluminação e a montagem deste filme que tem um enredo interessante.



Sondagem

A sondagem da semana passada, cuja questão era "O que pensa da influência de música estrangeira nos ritimos cabo-verdianos?" encerrou com um total de 17 votos. 64% dos participantes votaram a opção "É aceitável desde que se continue a preservar o tradicional puro"; 11% considera que a "A música carregada de influências exteriores deixa de ser música cabo-verdiana", outros 11% pensa que " Acontece o mesmo em todo o lado e é algo de positivo". A restante percentagem divide-se em partes iguais entre as duas outras opções.
Já está aí ao lado uma nova sondagem (sejam honestos :) ). A titulo de curiosidade, digo-vos que li há tempos que o Presidente Bush lê cerca de 87 livros por ano. Impossível! Então ou ele deve sofrer de algum tipo perda de memória ou os livros que tem lido na vida não são grande coisa. Não é suposto os livros tornarem-nos mais espertos?
Obrigada por participarem!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Greve!

Os argumentistas de cinema e televisão de Hollywood entraram em greve hoje, depois de as negociações de última hora terem falhado.
Há já algum tempo que os argumentistas vinham reclamando da sua situação no seio da indústria, considerando-se mal pagos e subvalorizados. Nem a homenagem da última cerimónia dos Oscars (que deu especial enfoque ao trabalho dos argumentistas) conseguiu apaziguar o mal estar que há muito se fazia sentir.
A greve teve início depois de dez horas de negociações entre o Writers Guild of America (WGA) e Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), que representa os estúdios.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Urbanidades

Bianda. Sábado passado fui ver a exposição do César. Eu sabia que a abertura ia ser especial, com leitura de poemas e tudo, mas não foi suficiente para vencer o meu hábito de fugir às aberturas ( a única excepção é a abertura da Feira do Livro). Gosto mais de ir ver as obras expostas quando elas estão sós. Eu e elas e o silêncio.
Gostei das fotografias do César. O estranho (ou talvez não, que sei eu?) é que gostei mais delas por algo que não aparecia nelas. É que em cada uma delas eu "via" mais o fotógrafo, o César, do que aquela gente ali retratada. Via o César de máquina em punho percorrendo aquelas praias debaixo do sol abrasador, procurando a lugar certo, o objecto certo, o momento certo para disparar. Via-o a suar um pouco, com areia nos pés, vontade de pousar a máquina e ir dar um mergulho. Via-o a disparar vezes seguida em direcção a um grupo de pessoas enquanto imaginava histórias para cada uma delas.
As fotografias do César devem contar algumas histórias. A que eu vi/imaginei foi a história do César ao tirar aquelas fotos.
Sniffers.No outro dia li uma matéria interessante no Jornal de Cabo Verde, sobre toxicodependentes. Tinha estatísticas do INE e tudo. E tinha aquele retracto habitual do consumidor: "zés ninguem", lavadores de carro, pescadores... por aí.
O que ficou de fora, mais uma vez, é aquela tribo urbana, malta queque, betinhos, copu leti ou chávena de chá (whatever)... aquela tribo dos barzinhos da moda, que anda a meter pelo nariz coisa mais sólida do que cheiros. Alguns desses filhinhos de papai e wannabe copus andam na vida loca reservando os fins de semana para meetings de cheiradelas colectivas. A coisa já está num tal ponto que não conseguem divertir-se na noite sem o empurrão do pózinho mágico, sendo que alguns chegam ao ponto de ficar com as vias respiratórias entupidas.
Os dealers é que devem andar a esfregar as mãos de contente com esta clientela vip que tem dinheiro suficiente (ou têm os papás) para consumir discretamente. Com empregos respeitáveis, vestindo roupas de marca e cheirando na privacidade dos seus T3, quem vai incluí-los em alguma lista de toxicodepentes?
Lonji. Amanhã Tcheka vai estar no Auditório Nacional a apresentar o seu novo trabalho. Como sempre, o auditório deverá encher para ouvi-lo.
Estou curiosa por ouvir ao vivo as músicas de Lonji, de que cada vez gosto mais. Penso que a contenção (e não tristeza) com que ele interpreta alguma das músicas ficou-lhe bem. As "explosões" estão nas músicas onde têm que estar e por certo as haverá no show de amanhã.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Mil Palavras


Do Cinema


No seu derradeiro Último Plano - a crónica mensal que escrevia para a revista de cinema Premiére - João Lopes deixa transparecer a sua inquietação face a um cada vez mais visível declínio do Cinema como produto cultural a ser consumido.
Desta feita, João Lopes foca, não a ameaça da pirataria, e sim o comportamento do público consumidor de filmes, cada vez mais “preguiçoso” em termos de escolhas. Isto é, o público cada vez mais opta por filmes “lights”, rápidos e fáceis de degustar.

Eu interrogo-me até que ponto as distribuidoras não terão o seu quinhão de culpa no sucedido. Perante a negra crise de espectadores nos cinemas (que teve o seu pico em 2005), o que fizeram as distribuidoras em Portugal e em quase todo o lado? Aumentaram a aquisição de filmes marcadamente comerciais (blockbusters tipo Transformers e Spiderman, comédias de trazer por casa e afins) que assim passaram a ocupar um maior número de salas. Os filmes de autor, independentes e “estrangeiros” (ou seja, não americanos) foram relegados a meia dúzia de salas, ficando ainda em exibição por um curto período de tempo.

Juntando isso a
este artigo da revista Bravo, que li há algumas semanas e que se sita em Os Momentos, dou por mim sentindo uma incontrolável nostalgia.
Esses realizadores apontados como os novos autores, onde e como serão vistos os seus filmes? Em iPods, triPods e DVDs piratas? E os velhos autores? Eles partiram mas os seus filmes são imortais. Serão as suas obras (ainda mais) marginalizadas e empurradas para escuras catacumbas frequentadas por cinéfilos considerados freaks por preterirem "300s" e "Horas de Ponta" em favor a filmes de Michael Haneke, Quentin Tarantino, Terrence Mallick ou Emir Kusturica?

Caramba, e aplicar isso tudo a Cabo Verde? Bem aí a premissa que deu origem a este texto teria que ser totalmente alterada pois aqui o público não está a tornar-se fútil nas suas escolhas, passando a consumir filmes meramente entertainers. O verbo muda para é.


E antes que alguem venha com duas pedras, estou a falar do grosso do público e não da totalidade. Como em tudo, há excepções.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Urbanidades

Sábado, entre as 12h e as 12h30. Chego à paragem de autocarro junto à esquadra policial do Palmarejo, a última antes de se sair do Palmarejo. Na paragem estão cerca de dez pessoas que se precipitam para o Autocarro 10, acabado de chegar. O autocarro não está completamente cheio mas, com o número de pessoas que entram naquele momento, fica lotado pelo que nem tento entrar.
Dicido aguardar pelo próximo, que deverá estar a chegar. O controlador da Moura Company (que fica na paragem a dar instruções aos condutores quando estes chegam) deve ter calculado o mesmo e dá ordem ao motorista do autocarro abarrotado para aguardar.
Pouco depois, chega outro Autocarro 10 com cerca de oito passageiros sentados. O controlador faz sinal e o motorista manda descer os oito passageiros e indica-lhes o outro autocarro, superlotado. Eu, que já ia a caminho do autocarro semi-vazio paro, estupefacta, e fico a olhar com cara de idiota para os passageiros que descem, como se nada fosse, e correm a apertar-se no primeiro autocarro. Não resisto e interpelo algum deles:
- Mas voces vão mesmo descer?! Voces já pagaram os bilhetes, estavam bem instalados e vão descer para irem se meter ali, apertados como animais a caminho do matadouro?!
Ninguem me responde. A porta do autocarro fecha-se e há pessoas coladas aos vidros, braços que saem pela janela e até passageiros no colo de outros que vão sentados. O autocarro parte e eu fico lá sozinha com o controlador que, perante a minha cara (que deve transparecer a estupefacção e raiva que sinto) atira-me um sorrisinho sacana e triunfante.
Espero mais quinze minutos, até que chegue o autocarro que fora esvaziado, e que dera meia volta de regresso às ruas principais do Palmarejo. Vem outra vez semi-vazio e eu entro, já sabendo o que me espera. Mais cinco minutos parados á espera de encher outra vez. Pela janela lanço olhares faiscantes ao controlador. Não sei o que lhe dá que, pouco depois, manda seguir. O autocarro tem todos os lugares sentados ocupados e um par de pessoas de pé. Fico aliviada mas a remoer na capacidade que as pessoas têm de serem uns carneiros duma figa, passivos e sem amor próprio, para aceitarem ser tratadas como animais.
Que eu e mais duas pessoas reclamem, infelizmente, não vai adiantar de nada. O tal senhor Moura há de aparecer no jornal a lavar as mãos e a dizer que a culpa é dos condutores broncos e sem intrução. E os condutores analfabrutos vão continuar a meter gente nos autocarros como se fossem gado sem que ninguem se importe.E tudo isso nas barbas da polícia.

O dinheiro que eu gasto com táxis por mês - porque na cidade capital do país o único serviço de transportes públicos é uma bosta - já dava para comprar um carrinho usado ao fim de um ano. Um lindo carrinho...que eu ia espatifar em dois dias nas ruas esburacadas da Praia. A sério, aos fãs de desportos radicais eu recomendo vivamente a principal "avenida" do Plateau. Para além de buracos em toda a sua extensão também pode-se admirar pela janela os buracos nos passeios (isso quando não estão tão ocupados por vendedeiras que nem se pode ver um pedaço de passeio) e claro, o lixo nas bermas que confere um colorido tão especial, tão...
Caramba, para que estou eu aqui a cansar-me com isso? Por acaso alguma coisa vai mudar?
UPDATE
Sim! pelo menos no que toca ao estado das estradas parece que finalmente vai se fazer qualquer coisa. Foi com satisfação que fiquei a saber que na próxima semana vão arrancar as obras para a esfaltagem das outras vias principais da cidade que não foram contempladas na "primeira volta", Plateau inclusive (Av. Amilcar Cabral, suponho).
Bem, finalmente. Foi preciso a campanha eleitoral estar mesmo a porta para se mexerem mas...mais vale tarde do que nunca.

Sondagens

Fechou a sondagem dos blogues com o Son di Santiago a ficar em primeiro (45% dos votos) e o Nós Media e o Pedra Bika empatados no segundo. Parabéns Djinho.
Votaram onze pessoas. Mais do que eu esperava. E como já prometi, haverá uma sondagem mais completa até ao fim do ano.

Lancei uma nova sondagem, sobre as influências estrangeiras na música cabo-verdiana. Para votar basta clicar no circulo junto a uma das opções.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Finalmente Debate

Tenho seguido os comentários ao filme Cabo Verde, Nha Cretcheu na bloguesfera e fora dela. E embora tenha sido chamada ao assunto pelo Abraão ( a propósito, toda gente já deve estar cansada de me ouvir dizer que eu não me assumo como outra coisa que não seja cinéfila. Especialista? Quem me dera :) ), só agora dicidi participar na discussão online.
Primeiro devo dizer que agora sim, o Abraão escreveu um texto de opinião. Desde o inicio que eu me perguntava como é que o Abraão que tem capacidade de escrever bons textos tinha escrito um texto daqueles. Não se trata da opinião que ele tem do filme - ele é livre de gostar ou não - mas da maneira como ele a expôs; logo ele tão exigente e vigilante em relação à qualidade da obra dos outros.
Se por um lado concordo com ele quando deixa perceber que não alinha pela politica da defesa de tudo o que é feito por cabo-verdianos, independentemente da sua qualidade, por outro não posso deixar de lembrar ao Abraão que, com certeza os seus quadros de hoje não tem a mesma qualidade que os primeiros que ele fez. Não há outra maneira de se melhorar do que ir experimentando. E para saber o que tem que ser melhorado tem que se mostrar o trabalho feito. Agora, a maneira como se apontam as falhas, essa também, é importante.
Quanto à preocupaçaõ do Abraão em relação à imagem de Cabo Verde que o filme poderá levar para fora, eu não me preocuparia. Afinal sempre temos quem, volta e meia, vá lá fora mostrar o lado sofisticado de Cabo Verde, como é o caso do próprio Abraão.
Algo que o Tide disse me chamou a atenção: "Nos mentalidi di bairru, di konxi tudu algen, di sabi di vida di tudu algen ka ta dexanu entra na mundu sima sta."
Não sei se é exactamente isso que ele quis dizer mas eu interpretei como aquela mania bem cabo-verdiana de diminuir e receber com desconfiança o trabalho dos outros só porque o autor é "o fulano que mora aí na esquina ao lado" ou "sicrana com quem andei na escola".
Não estou a dizer isso aplicando ao caso em questão (o tal filme) e nem partindo do principio que é essa a atitude do Abrãao (creio que não). Estou a falar de uma atitude habitual de muitas pessoas que parecem valorizar mais uma obra quanto mais distante o autor estiver do seu quotidiano.
O meu comentário ao filme está no A Semana de hoje. Não é uma critica completa e inclusive gostaria de ter tido a oportunidade de ver o filme mais vezes (como faço quando escrevo criticas) para comentar com mais propriedade.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Interactividade

1.Confirma-se: muitas pessoas não vêm o template todo catita do blog. Vêm apenas uma página em branco com os posts todos tortos.
Vou ter que trocar e provavelmente vou ter que ficar-me por um dos templates básicos do blogger. Paxenxa.
2. Por razões que depois compreenderão não vou comentar aqui o filme Cabo Verde, Nha Cretcheu.
3. Este site votou o Nós Media do Silvino (embora não tenham acertado com o nome do blog) como o melhor de Cabo Verde, tendo ficado em 12ª lugar entre os blogues africanos. Parabéns ao Nós Média que é realmente um blog que soube manter a sua linha editorial continuando sempre interessante.
O Sopafla aparece na lista! Está em 7º lugar entre os 26 blogs Cabo-Verdianos que aparecem na lista. Estou estupefacta. Com toda a "incorreção política" dos ultimos tempos, macriadeza, abordagem de temas fúteis como séries de TV e homens bonitos...como é possível aparecer na lista?
Achei "engraçado" dizerem Top África, Cabo Verde e Timor. Como se não fossemos África...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Manutenção

O blog estava a precisar de alguma manutenção. Já fiz algumas mexidas: actualizei os links, embora ainda faltem alguns e lá abri os comentários outra vez, porque algumas pessoas me disseram que pelo mail não tinha a mesma piada.
Agora, descobri uma coisa: em alguns computadores o meu template não aparece. Isto é o meu blog aparece todo desconfigurado e sem template. Não sou expert em internetês mas acho que é porque o meu template não é dos básicos do blogger e talvez consoante o servidor ou alguma geringonça virtual ele seja visualizado normalmente ou não.
Será que vou ter que mudar o template outra vez? Ah não, gosto tanto deste! É elegante e incomum, não se parece com nenhum outro template.

Here i Go Again

Depois de algum tempo de paragem (god, eu não tinha me dado conta que se passara tanto tempo!) devido às férias, e principalmente à doença de manifestação periódica de que sofro, chamada Fastio de Internet (internetus nauseum, em latim) decidi que já era tempo de voltar às lides.
Assim, a pouco e pouco, fui me reaproximando do universo virtual: primeiro começei a entrar em alguns sites inofensivos (pouco viciantes) por alguns minutos, depois fui aumentando o tempo de estadia, a seguir abri os meus mails e li mensagens que durante meses aguardaram resposta, depois de algum tempo de mentalização respondi a algumas delas.
Recentemente já fui capaz de gastar mais tempo a navegar pelos sites da minha preferência, troquei mensagens de e-mail e até bati-papo no chat!
Hoje começa o derradeiro desafio: voltar à bloguesfera.
Fui a um conceituado médico especialista em Internetologia e psicovirtualogia e ele pouco mais fez do que confirmar o diagnóstico: eu realmente sofro de "episódios" de Fastio de Internet. A doença manifesta-se da seguinte maneira: durante meses eu mergulho intensamente no mundo da internet. Vicio-me em sites e blogs, posto frenicamente no meu blog, entro no meu correio eletrónico todos os dias e atropelo-me para responder a todas as mensagens, faço inúmeras incursões ao google para pesquisas...enfim, só não baixo músicas e filmes porque sou contra a pirataria (bem, na verdade...não sei como fazer. Se não, não sei se me importaria de fazer com que os milionários de Hollywood ficassem sem uns cobres).
Enfim, o Internetólogo disse que eu não devia me preocupar com o meu Fastio de Internet porque no fundo é o meu sistema de defesa do organismo a funcionar: ele (o tal sistema) me avisa quando devo abrandar e largar a Internet pra lá e me concentrar no mundo real. Ele até me disse que eu tenho sorte porque muitas pessoas não têm um sistema de defesa de organismo tão sofisticado e não ficam com Fastio de Internet. Pelo contrário, ficam cada vez mais viciadas e agarradas e se algum dia se virem sem um computador à frente são capazes de se deprimirem ou pior enlouquecer de vez. Yaic!
" Você realmente não tem que se preocupar. Primeiro porque, mesmo fora dos periodos de Fastio de Internet, você não é tão viciada assim: pelo que me disse você nem tem Hi5 e nem visita o site PraiaCapital! Issso sim, seria trágico... E depois porque o Fastio de Internet é uma doença benéfica. É o cérebro se desintoxicando".
Foi isso que me disse o meu Internetólogo ao invés de curar o meu Fastio de Internet.
Palhaço. Ainda teve a cara de pau de me recomendar um máximo de três posts por semana. Pode?
Whatever. I'm back in the game.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Sei o que Fiz no Verão Passado* IV (Moçambique)

A maravilhosa estância balnear de Bilene. Um colírio para os olhos mas eu ainda preferia ter ido ao Parque Natural ver os leões e os elefantes. Quem sabe noutra viagem...

Escultura no Centro Cultural de Matalana, onde residem e trabalham vários artistas nacionais


Uma partida entre jovens rastas e os "cotas". O jogo parece muito o nosso urî mas como podem ver o "tabuleiro" é diferente, com dezenas de buracos e escavado numa mesa de cimento


O pintor moçambicano, Malangatana, fincado na badjo com jovens criadores da CPLP . Malangatana é residente honorário do Centro Cultural de Matalana. O governo Moçambicano tem uma forte politica de apoio aos artistas nacionais. Um exemplo a seguir por vários países, inclusive os PDMs.





*E aqui termina a série cujo titulo foi inspirado no filme de terror I Know What You Did Last Summer. Excepto que estas viagens não foram terror nenhum, muito pelo contrário. :)

Sei o Que Fiz no Verão Passado III (Santo Antão)

Beco em Ribeira Grande, a vila-vale onde as montanhas e as gentes nos aconchegam

Vale do Paúl. Lá em cima, Santo António das Pombas nos saúda e quem tiver força nas canelas deve subir e maravilhar-se com a vista.

Um dos lugares onde mais gostei de estar em Santo Antão foi na vila de Ponta do Sol, da uqal infelizmente não tenho fotos. Cheguei lá a tempo de ver um espectacular por do sol no caizinho de pedra. Ao charme da vilazinha juntou-se uma enebriante conversa ao jantar com o artista Bento Oliveira. Nunca mais o vi mas quem conversa com Bento uma vez não o esquece jamais.


sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Melindres II

A propósito, lia há dias a crónica de Germano Almeida na revista angolana Africa 21 e dei-me conta de que ele e o artista Abrãao Vicente terão lá as suas diferenças mas têm opiniões parecidas no que toca ao tipo de turismo adoptado pelo nosso governo. E pelo teor da crónica de GA parece que também têm ideias similares sobre a Morabeza, esse novo bode expiatório que agora parece ter sido unanimemente aceite como algo entre a ingenuidade e a palermice perante os estrangeiros.
Como dizia no outro dia, eu prefiro continuar com a outra difinição de morabeza: substantivo derivado do adjectivo morabi que significa amável, hospitaleiro, simpático (coisas que não implicam necessariamente passividade e burrice). E é meu ardente desejo que as gentes das ilhas continuem a ser assim e não desconfiados e agressivos como nós citadinos cada vez mais somos.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Ricardo de férias

Depois da festa de finalistas do jardim infantil (sim, este ano o pestinha vai à escola!) Ricardo partiu para umas merecidas férias. Entre as recomendações que lhe dei tive que acrescentar esta: Vê lá se desta vez não mordes o cão!
Sim, é verdade. Há dois anos atrás quando foi de férias Ricardo, na altura com 3 anos, mordeu o cão lá de casa (Mirc). Portanto ele é, literalmente, o rapazinho que mordeu o cão.

Manutenção

Avisaram-me pelo sopaflaarrobagmailpontocom (escrevo assim para evitar spams) que o blog não aceita comentários. O Blogger é dado a estas maluquices pelo que peço desculpas e a compreensão de quem tem tentado comentar sem sucesso. De lembrar que só pode comentar quem tem conta no blogger, medida tomada quando cheguei à conclusão de que mais ridiculo do que comentários anónimos era responder e por-me a discutir com tais inergúmenos. Bem, há casos piores. Há quem se deite a adivinhar a identidade dos anónimos, chegando a acusar inocentes. :)
Só para dizer que enquanto eu n fizer uma manutenção intensiva ao blog (coisa que ele anda a precisar e que farei durante as férias do mesmo) quem quiser pode comentar no mail do blog, supracitado.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Sei o Que Fiz no Verão Passado II (São Vicente)

Vista da marginal e do Monte Cara, da janela de um prédio


Em Mindelo, a final da Copa do Mundo foi inesquecível. No bar do hotel a assistência era maioritariamente de tropas da NATO a torcer pela França. E eu ali a gritar de alegria com os golos da Itália... (foto horrivel mas era o que tinha a mão)

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Ricardito(s)

O meu sobrinho Ricardo, de 5 anos, tem cada uma... Volta e meia ele sai-se com uns ditos que deixa toda a familia a rir-se às gargalhadas. Outro dia eu estava a ver na TV o Filú a anunciar que a Camara ia reunir-se para traçar um plano de acção para a época das chuvas. Não me contive e comentei em voz alta: Só agora?! Depois do que houve no ano passado só agora, que até já podia ter começado a chover, é que a Câmara vai pensar (ainda nem é pôr em acção!) em medidas para não acontecerem os transtornos provocados pela chuva?!
Ricardo é que tem a solução para a coisa: Filú sta mesti leba caquerada, sentenciou ele.

Volta e meia eu pergunto-lhe o que ele quer ser quando for grande. Como é natural com crianças, de cada vez ele me dá uma resposta diferente. Da última vez respondeu-me que quer ser o Homem Aranha.

Então já não queres ser piloto de avião?, pergunto eu.

Resposta: O Homem Aranha também voa e não precisa de avião.


terça-feira, 17 de julho de 2007

Sei o Que Fiz no Verão Passado I (Fogo)

A caminho da corrida de cavalos


Um badju improvisado na quintal di casa di um amigo



Como nostálgica que sou, e enquanto os meus planos de viagem para este verão não se concretizam, vou matando saudades das viagens do ano passado.
Fogo foi, sem dúvida, um dos meus destinos preferidos. Calhou de eu ter ido em plena festa de Nhô S. Filipe, festa bedju.


segunda-feira, 16 de julho de 2007

Antes

Antes do fim de semana, na quinta-feira, fui uma das pessoas que compareceu para manifestar-se contra a actual situação do Palácio da Cultura. Não apenas contra a instalação do guichet da Electra mas contra a inactividade, o abandono a que está votado o Palácio.
Não houve manifestação porque, segundo se disse, o ministro da Cultura ia receber um grupo de cidadãos para se inteirar das suas reinvidicações e posteriormente tomar uma posição.
Da minha parte, espero que se deixe claro que o problema não é apenas a instalação do posto de cobrança da Electra e sim todo o trabalho que os responsáveis pelo espaço não fizeram. Ao que parece, a política vigente era esperar que os cidadãos interessados se ocupassem do espaço. Na minha opinião, independentemente disso, a admisnistração devia ter um programa cultural assegurado, para o caso de cidadãos não se interessarem ou não terem condições de usar o espaço (por exemplo, não puderem suportar os custos do aluguer das salas). Deixar todo o trabalho para os outros ( e ainda por cima não facilitar-lhes o uso) quando se deram ao trabalho de criar o espaço e são pagos para o admnistrar não me parece certo.
O Palácio deverá sim estar aberto à participação da sociedade civil, dos artistas, mas os dirigentes não deverão fugir às suas responsabilidades. Têm a obrigação de elaborar um programa, um calendário cultural para o mesmo, e executá-lo.
Claro que para tal terá que haver dinheiro, dinheiro esse que prontamente dirão que não há. Como sempre acontece quando o assunto é investir na cultura.

O Fim De Semana Foi...

De estreias.
Na sexta, a antestreia do documentário Rua Banana, Cidade Velha, de Mário Benvindo Cabral, no Centro Cultural Português. Um precioso testemunho dos habitantes de Cidade Velha, que se manifestam sobre a candidatura a património mundial da primeira cidade de Cabo Verde.
No sábado, noitada de estreia no Splab, a esplanada-bar no Plateau. Ambiente bem-disposto, simpatia no atendimento e de bónus um show de preparação de cocktails por um profissional estrangeiro. Em acrobacias tipo Tom Cruise no filme Cocktail. Para esticar a noite, mais uma estreia, na novíssima discoteca da capital, Max Club. A aproveitar enquanto ainda não se torna ponto de peregrinação com a pista demasiado lotada para se dançar como deve ser, como outros espaços da capital.


Domingo teve que ser dia de d-tox. Xarope de seiva para limpar o fígado dos resíduos dos vodka-martinis, e Chico Buarque para limpar os tímpanos da música de discoteca consumida.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Aplausos

Apesar de já vir tarde gostaria de deixar registrado o quanto gostei do texto do César Schoffield no A Semana, sobre o estado em que se encontra o Palácio da Cultura. Para além de pôr o dedo na ferida e denunciar uma situação verdadeiramente vergonhosa, Schoffield ainda enfeita o texto com deliciosas tiradas de humor.
Na verdade e infelizmente, situações a pedir denúncia e exposição pública (para ver se quem de direito toma vergonha na cara) abundam. Eu, por exemplo, estou pelos cabelos com o atendimento público que se faz nesta cidade (falo desta cidade porque é aqui que vivo). Já nem falo do atendimento nas repartições públicas porque isso é um clássico que resiste a crónicas de desabafo, formações em atendimento, etecétera e tal.
Fico mais surpreendida é que essa situação persista no atendimento nos serviços privados, nomeadamente no comércio. Toda gente sabe que, quando se tem concorrência, a qualidade da oferta tem que aumentar mas também a do atendimento, certo? Uma ova! A grande maioria dos gerentes e funcionários de casas comerciais, restaurantes e afins teimam em ignorar essa lógica e o que tenho constatado ( e várias pessoas já me manifestaram essa mesma sensação) é que o que acontece na maior parte das vezes é serem tratados nos estabelecimentos comerciais como se estivessem a incomodar quem os atende, como se ao nos darem a mínima atenção estivessem a fazer-nos um grande favor.
A solução óbvia para esse problema seria apostar na formação, sensibilizar os agentes do atendimento público. Mas, tratando-se de estabelecimentos privados, quem vai convencer o proprietário a gastar dinheiro nessa formação? Principalmente quando ele mesmo não a tem e também não sabe lidar com os clientes nem percebe a importância que isso tem.
Um país obcecado com o turismo não pode dar-se ao luxo de ignorar este problema. Mas atenção, o bom atendimento não pode nem deve ser só para o turista.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Equívoco 1

Este post deu origem a uma resposta "magoada" da Margarida, d' Os Momentos. Tudo porque ela não terá descortinado a ironia nas minhas palavras. Depois de várias leituras, e de algumas pessos terem-me garantido que de facto não se percebe a ironia (que aquilo parece mesmo uma afirmação acabada de que eu considero os blogs citados, inclusive o meu, como egocêntrico) vejo-me na obrigação de esclarecer.
A falha terá sido a ausência deste link, onde a frase do Abrãao (“Devo confessar que estive reticente durante muito tempo sobre a possibilidade de criar um blog. Durante alguns meses reflecti sobre o sentido de se ter um espaço pessoal na net, sobre os seus aspectos egocêntricos/ubigocêntricos.”. (...)” ) suscitou o meu comentário irónico "O Ala Marginal deixa perceber uma vontade de evitar ser um blog egocêntrico/umbicocêntrico como os que já existem". E cito alguns blogs de entre os mais conhecidos, inclusive o meu.
Terá passado pela cabeça de alguem que eu estava a falar a sério? Sim. Terá passado pela cabeça de alguem que eu considero o meu próprio blog egocêntrico e me vanglorio disso? Sim. Eu tenho dito, o mundo é estranho e a prova acabada é que dois dias antes daquele post eu e a Margarida estavamos juntas a rir do comentário de um anónimo que lhe dissera que a escrita no blog dela era "para o umbigo". Comentamos as duas que era ridiculo que por ela ser jornalista houvesse pessoas que achassem que o blog dela não devia conter nada pessoal. Daí a minha estupefação ao deparar com a reação da Margarida. É que se houvesse alguem que era suposto ter percebido logo a ironia do meu comentário era ela. Infelizmente, nem ela nem ninguem percebeu. O que deve significar que realmente não me expressei bem.
Voltando à questão do egocêntrismo dos/nos blogs... e agora vou ser "egocêntrica" porque vou falar do meu blog: Um blog que tem um espaço dedicado a anunciar os novos blogs que vai descobrindo é egocêntrico? Um blog que tem uma rubrica em que cita e/ou comenta o que se escreve em outros blogs é egocêntrico? Um blog que publicita o trabalho dos outros é egocêntrico? Um blog que chama a atenção para problemas sociais é egocêntrico?
E no entanto... em jeito de twist final, não posso deixar de concordar com o Abrãao de que, no fundo, qualquer que seja o propósito de um blog e o seu conteúdo, ele terá sempre os seus aspectos egocêntricos/umbicocêntricos. Não fossemos nós seres humanos, não fossemos nós - por mais que issso nos desagrade - imperfeitos.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

New Blogs On The Block

E finalmente, o blog que se esperava. Pelo Albatroz fiquei a saber da chegada de Abrãao Vicente à bloguesfera. O blog chama-se Ala Marginal e vai servir de espaço para o artista publicar as crónicas sujas que já não "cabiam" no A Semana, jornal com o qual parece ter entrado em ruptura.
Para já, o Ala Marginal deixa perceber uma vontade de evitar ser um blog egocêntrico/umbicocêntrico, como alguns já existentes (Albatroz, Os Momentos, Soncent...e o SoPaFla mais do que qualquer outro). Como bónus teremos imagens (fotografias, desenhos, etc.) com o toque pessoal do mais novo blogger da praça.
Seja bem-vindo, Abraão. Agora...preparem-se.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Sexta - Feira é um bom dia para...

Reunir-se com grupo de amigas num agradável jantar.
Ultimamente (cerca de duas semanas), deu-me para baldar a tudo quanto é evento interessante que tem acontecido na cidade. Não fui a um único concerto da Semana Riba Praia, não fui aos lançamentos de livros recentes (I'm sorry, amigo Albatroz), ainda não fui a nenhum dos programas do Praia.mov, Gamboa passou-me completamente ao lado (mesmo porque eu não estava na cidade)... Normal, eu sempre alterno o meu habitual lado caseiro com periodos de maior actividade social.
Hoje eu vou compensar um pouco. Há jantar de amigas e já se sabe que noite de sexta-feira é looooonga. Só espero que, ao jantar, o prato da noite não sejam namorados e ex-namorados. Homens, quando souberem que nós, vossas mulheres, namoradas, ex-namoradas, amigas, irmãs vão sair em grupo...tremam. AHAHAHAHHA...

Estou a brincar. Somos mulheres modernas e independentes que conversam sobre política, cotação da bolsa de valores, citamos Nietzsche e discutimos as obras de Cézane, por aí fora...
A sério!

Na Cidade Luz e nas luzes da ribalta

Hoje é dia de Àfrica e é também o início da semana cabo-verdiana em Paris. Um mega-evento que vai reunir na capital francesa importantes figuras de vários sectores da cultura cabo-verdiana. No Ilha Nua e no Albatroz, a programação completa.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Das Séries



Heroes. Terminada a segunda temporada de Prison Break (que infelizmente foi perdendo qualidade de episódio para episódio, apenas se salvando o desempenho de Tom Sizemore) descobri Heroes.

Trata-se de uma série inspirada nos comics books, especialmente nos X-Men da Marvel. A premissa é a seguinte: um grupo de pessoas de diferentes pontos do planeta (na verdade, e como não podia deixar de ser, a maioria são americanos) começa a aperceber-se de que desenvolveram capacidades especiais provocadas por mutações noi seu código genético. Há um pintor que consegue ver o futuro e pintá-lo nos seus quadros, que vão formando uma espécie de BD em tamanho XL. Há uma adolescente com uma capacidade de regeneração tal que até ressuscita da morte. Há um candidato a congressista que voa e um japonês capaz de teletransportar-se no espaço e no tempo. Entre muitos outros, há também o irmão do congressista ,que absorve os poderes dos outros e é um dos primeiros a descobrir que estes heróis estão destinados a enfrentar os vilões e salvar o mundo.
Advertência: esta série só conquistará plenamente os apreciadores dos comics. Para mim, que cresci a ler as aventuras do Homem Aranha, a admirar os X – Men e a torcer pelos Vingadores ,apesar de já não pegar num destes livros há anos, é uma delicia ver esta banda desenhada viva que é Heroes.
Sim, porque ao contrário dos filmes dos super-heróis - que têm o compromisso de conquistar também o público não familiarizado com a BD e com a desvantagem de só terem duas horas para desenvolver a história – esta série desenrola-se exactamente como uma BD. Os diálogos, a caracterização dos personagens, as sequências de imagem, e até os monólogos em off. Ficamos até à espera que um balão apareça junto à cabeça dos personagens com os diálogos lá dentro.
Tudo isso acaba por ser a força e a fraqueza da série. Porque, apesar do encanto que qualquer apreciador de BD sinta pela série, não há como não notar que, como nestas, a série também tem momentos em que os diálogos se tornam muito básicos, as acções demasiado forçadas e as soluções simplistas. Mas, como com os comics, o verdadeiro fã perdoa tudo isso e aguarda ansiosamente pela próxima número, digo, episódio, para ver como os seus heróis se safam.



Soltas

Cansaço. É estar a caminho de casa e pedir ao condutor que vire à direita depois da farmácia e a seguir à esquerda. E, depois do olhar que ele te lança, aperceberes-te que hoje não vieste de taxi e sim de autocarro.


Aventura. É meteres-te numa hiace para o Tarrafal e a meio do percurso alguem te pedir que deites pela janela a sua lata de cerveja vazia. Aí tu respondes, educadamente, que és contra deitar lixo ao chão e por isso não o vais fazer. Percebes a seguir, que a dúzia de passageiros que te rodeia quer te deitar pela janela a fora.


Surpresa. É levantares-te da cama com o som habitual das manhãs de sábado. Vestires-te a correr e sair porta a fora para, finalmente, ires ver quem é o tocador da gaita de foles que te acorda com coladeras, funanás e até mesmo músicas brasileiras. E ficares estupefacta ao te deparares com um miúdo de doze anos que nos outros dias da semana berra palavrões aos amigos.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Round Up The Usual Suspects (16)

Versão internacional é aberta em instantes.



Sorrateiramente, o Tatarana ressurgiu e, discretamente (sem as trombetas que se fazem soar neste blog, por exemplo), comemorou o quarto aniversário. Gostei do new look. A boa qualidade dos textos mantem-se.

Bónus: New Blogs on The Block - Como que para nos compensar das saudades que nos deixou durante a (felizmente) breve paragem, o Jorge, que tem paixão por esta terra crioula, criou o No Pó Da Ilha Nua (reparem que é um verso do hino nacional de Cabo Verde). Uma belíssima declaração de amor que, salvo as devidas diferenças, vem preencher uma lacuna deixada pelo saudoso Lantuna. Belo blog.
E na minha primeira visita, já uma boa novidade: tenho estado em dia com a programação de Cannes e contudo esta tinha-me escapado. É o segundo ano consecutivo que Pedro Costa leva Cabo Verde a Cannes. No ano passado apresentou o filme Juventude em Marcha sobre os jovens da segunda geração, filhos de imigrantes caboverdianos em Portugal.


Gosto muito do Alexandre Soares Silva, intelectual brasileiro que, aparentemente, tem zero gramas de pretensiosismo e uma deliciosa capacidade de rir-se de sí próprio. ASS faz um blog inteligente, irónico e com uma abordagem refrescante e humorada aos temas mais maçudos que se possam imaginar. Atenção, esse blog vicía.
Estive lá a fazer um round up e, pelo título de um dos posts, me lembrei que este ano tivemos direito a dois Dia da Mãe. Como há quem chame a estas coisas de neocolonialismo... os neocolonizados por Portugal e resto da Europa festejaram no primeiro domingo de Maio, os neocolonizados pelo Brasil (que nos últimos anos parece-me ser a maioria) festejaram no segundo domingo. O mundo é estranho.


No Bomba Inteligente anuncia-se mais um Falar de Blogues. É um encontro que se realiza regularmente (não sei a periodicidade) - como muitos outros que se fazem em Portugal e pelo mundo a fora - para, como diz o nome, falar de blogues.
Nós por cá tivemos uma única experiência do tipo. É pena, mas blogue é coisa que em Cabo Verde continua a ser encarada por muitos com pouca seriedade. Os intelectuais da praça ignoram-no; muitas pessoas encaram-no como uma coisa light, tipo hi5; eu própria já fui acusada de viver demasiado intensamente esta coisa dos blogues (não foi dito exactamente com estas palavras mas foi no tom de isso não é nada de sério). Foi na altura em que o meu entusiasmo pelo blog andava no auge e que eu - à semelhança do que fazem agora e Margarida e o Filinto - andava num frenesim, metendo contadores, liberando os comentários e fazendo insursões ao google analytics (é verdade, já não espreito aquilo há séculos).
A minha mensagem para as pessoas em Cabo Verde que não levam os blogues a sério é que ponham os olhos no Son Di Santiagu, no Albatroz, n' Os Momentos, no Blog do Paulino, no Nos Media e em outros tantos. Esses são blogues sérios, que têm um tema e uma missão (seja ela divulgar a música caboverdiana, expressar a intelectualidade crioula, divulgar e comentar a cultura, dar a conhecer uma ilha, analisar os media, etc.). Não são blogues lights, sobre 'nada", como o meu.
Não estou a ser autodepreciativa. Há por aí meia dúzia de pessoas que gostam do meu blog (alguem me disse que é genuíno, eh eh eh) e eu sou uma delas, embora algumas vezes perca a pachorra :)
Bem, o que eu queria dizer é que aguardo pelo dia em que se falará sobre blogues em Cabo Verde sem aquele tom vamos-lá-falar-dos-blogues-mas-nada-de-levar-isto-a-sério.