segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007
sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007
Mataram-na.
Lembro-me de quando era ainda criança vê-la nos telejornais. Não sabia bem quem era e nem o que se passava mas admirava-a: uma mulher primeira ministra. Achava o seu nome exótico e repetia-o como só as crianças repetem as palavras misteriosas que descobrem. Com o tempo a admiração foi crescendo. Ser mulher não é fácil. Ser mulher lá onde ela o era e fazendo o que ela fazia...
Toda a gente dizia que haviam de matá-la. Um dia desses matam-na.
Mataram-na. Mataram a mulher muçulmana que lutava por um país melhor. Que se atrevia a ombrear com os homens poderosos, donos de exércitos, cães de guarda dos donos do mundo.
Mataram-na e com ela um punhado de sonhos, uma coragem do tamanho do mundo.
Retrato falado
Interessante o Djoy ter ido buscar, lá no Fladu Dja Dura, o meu primeiro post ao voltar a Cabo Verde.
O retrato que eu fiz na altura quase que permanece o mesmo: desenvolvimento por um lado (basicamente no que se refere às infraestruturas e serviços) mas por outro...caos (principalmente no social).
De resto, estamos em época de retratos à nação, que na hora de pôr o dedo na ferida se confunde com Praia, não fosse a cidade capital a que dita o ritmo do arquipélago: O César fez o seu no A Semana.cv e o Liberal importou um artigo dum jornal francês que deixa qualquer um de coração apertado.
Sempre que alguem fala/escreve de Cabo Verde em termos negativos a coisa é politizada; é porque a pessoa só pode ser da oposição para estar a apontar os podres. Bem, se não ficou já bem claro nos quase quatro anos deste blog, digo-o aqui com todas as letras: eu não tenho partido político. Não sou PAICV, nem MPD. Claro que admitir isso não irá propriamente abrir-me portas (porque normalmente só admite isso quem já está bem instalado na vida e já não precisa de ter connections). Mas provavelmente também não as irá fechar já que eu não passo de uma joana ninguem.
E é como joana ninguem, sem partido político, sem religião e até mesmo sem clube de futebol (caí em mim e percebi que é rídiculo estar a torcer por um clube só porque, no tempo dos meus pais, o meu país fazia parte de outro país e aí por diante...se deixámos de decorar os nomes dos seus rios porque raio não havemos de nos desligarmos dos clubes? Está bem, o facto do Benfica hoje em dia estar uma bosta também contribuiu para a minha epifania!).
É como joana ninguem dizia eu, que infelizmente tenho que dizer que há muita verdade no retrato escrito de Cabo Verde feito pelo tal jornal francês.
Há gente a delirar com dígitos a mais e a menos e a exibir mega projectos, a falar em sofisticação e que simplesmente não admitem ouvir falar das fossas a céu aberto, das valas cheais de lixo, das vacas que se passeiam nas ruas principais, da violência dos assaltantes, dos meninos de rua que vagueiam pelo Palmarejo e pelas rua do Mindelo a pedir moedas, dos desempregados...porque se falas disso és do raio da maldita oposição!
Eu sou oposição sim. Eu me oponho a que nos deixemos deslumbrar pelos elogios das entidades internacionais, eu me oponho a que os ganhos em determinadas áreas nos façam fechar os olhos às fragilidades de outras, eu me oponho a que nos contentemos com estradas asfaltadas e aeroportos novos quando o lixo torna cidade da Praia tão feia e em São Vicente os jovens se ficam pelas esquinas, sem trabalho. Eu me oponho a que Maio, S. Nicolau e Brava sejam esquecidas e avancem a passos de caracóis. Eu me oponho a que durante três anos e meio pouco se faça e em vésperas de eleições comecem a "pipocar" obras. Eu me oponho a que os da oposição passem anos a criticar e quando/se lá chegarem façam exactamente o mesmo.
quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007
Pai Natal kaçubodiado
Em tempos de festa e de indignação contra violência o So Pa Fla publica uma contribuição de uma leitora que gentilmente se ofereceu para dar um ar natalino a este blogue que até agora parece estar nem aí para o natal. Um conto de natal bastante ...eh... diferente daqueles a que estamos habituados. :)
Na Gronelândia, o Pai Natal, muito atarefado, consultava a enorme lista de pedidos, vindos da cidade da Praia, capital de Cabo Verde.
Enquanto embrulhava as prendas e colocava as respectivas etiquetas, o velhinho de barbas brancas pensava no quanto estava ansioso pois, pela primeira vez, ia pessoalmente entregar as prendas naquela cidade a qual chamavam de menina do mar.
Ufa! Finalmente - pensou o pai natal -Realmente, os praienses estão a ficar cada vez mais exigentes. Crianças e adultos. Action mens, Buzz Lightyers, barbies- princesas e os príncipes kents, playstations, crossfoxes, móveis novos para o quarto, para a sala, para a casa-de-banho, objectos de ouro, roupas e sapatos novos, enfim, uma parafernália de objectos, a maioria delas sem poder caber no saco.
De tanto tempo gastar a encher o saco, Pai Natal esqueceu-se das horas e quando deu por isso, já a noite tinha chegado.
— Deus do céu! Já é altura de ir para a Praia. Já falta pouco para a festa de Natal e os praienses devem estar ansiosos!
Pegou num gorro e pôs-se a caminho da cidade. A noite estava fria e silenciosa. Via-se aqui e ali uma ou outra viatura e umas poucas pessoas. A maioria dos habitantes da cidade estava recolhida em suas casas, aguardando a consoada.
Pai Natal decidiu começar pelo Palmarejo. Afinal era dali que vinha a maior parte dos pedidos e os que mais pesavam no seu saco pelo que pensou que começando por ali, ficaria mais aliviado. Já não era assim tão novo e as costas reclamavam do peso do saco.
O bom velhinho ia consultando a lista e os endereços. Era muito complicado encontrar uma ou outra casa. Algumas ruas tinham nomes, mas outras não. E para complicar ainda mais a situação, não havia iluminação nas ruas. Estava um breu que até as renas, de vez em quando, davam pulinhos de susto, por qualquer barulho.
-Estejam calmas. Estamos em Cabo Verde. Aqui está-se tranquilo. O povo é de brandos costumes. Nada nos vai acontecer.
Nem deu seis passos, quando de repente, saídos de trás de uma arvores, surgiram dois homens que se aproximaram rapidamente do Pai Natal e o cercaram.
- Omi grandi, passa pa li kel saku sinon nu ta limpau.
-Mas o que é isso? Não estou a entender…
-E isso entendes? – Um deles sacou do bolso um canivete suíço e apontou a barriga do pai natal
As renas ao verem aquela cena desataram a correr, assustadas.
-Renas voltem cá. Dasher, Dancer, Dixen, Rodolfo – de nada adiantou ao Pai Natal gritar pelas suas renas pois as mesmas desapareceram, deixando o Pai Natal sozinho com os meliantes.
- Digam-me o que querem que eu vos dou. Eu sou o Pai Natal e satisfaço o desejo de todos.
-Nos deseju é fika ku bu sacu y sem konbersu tcheu.
E dito aquilo atiraram com o pai natal para o chão, imobilizaram-no e levaram o saco. Antes, deram-no uma coça, deixando-o prostrado no chão, a gemer.
O pai natal foi encontrado pelo carro do Piquete, meia hora mais tarde. Não conseguiu descrever a cara dos bandidos, argumentando que por falta de iluminação não pudera lhes ver a cara. As renas foram recuperadas uma hora depois, pois alguém que as viu correndo pelas ruas ligou para o 132
- Alô! É da polícia? Venham depressa que vi agora mesmo oito vacas a correr pela avenida Santiago. Mas tenham cuidado que são umas vacas estranhas. Têm uns chifres que nunca vi. – Até na noite do natal essas vacas passeiam pelas ruas. Mas é só na Praia mesmo!
O saco foi encontrado três dias depois do natal, todo sujo e amassado, na lixeira municipal, pelos homens da recolha do lixo. Chamou-lhes a atenção aquele enorme saco vermelho, e como tinham ouvido a notícia de que o saco do Pai Natal fora roubado recolheram-no e entregaram-no à policia.
Os praienses ficaram sem prendas. Em todas as casas foi um deus-nos-acuda. Os pais não sabiam como explicar aos filhos do porquê de terem ficado sem prendas. Os adultos, desconsolados, iam desfiando um rosário de nomes para os meliantes e, pela primeira vez, a Praia-capital uniu-se, saindo à rua para exigir mais iluminação e segurança.
Aquelas seriam, sem dúvida, as duas maiores prendas que a Praia poderia ganhar.
Enquanto embrulhava as prendas e colocava as respectivas etiquetas, o velhinho de barbas brancas pensava no quanto estava ansioso pois, pela primeira vez, ia pessoalmente entregar as prendas naquela cidade a qual chamavam de menina do mar.
Ufa! Finalmente - pensou o pai natal -Realmente, os praienses estão a ficar cada vez mais exigentes. Crianças e adultos. Action mens, Buzz Lightyers, barbies- princesas e os príncipes kents, playstations, crossfoxes, móveis novos para o quarto, para a sala, para a casa-de-banho, objectos de ouro, roupas e sapatos novos, enfim, uma parafernália de objectos, a maioria delas sem poder caber no saco.
De tanto tempo gastar a encher o saco, Pai Natal esqueceu-se das horas e quando deu por isso, já a noite tinha chegado.
— Deus do céu! Já é altura de ir para a Praia. Já falta pouco para a festa de Natal e os praienses devem estar ansiosos!
Pegou num gorro e pôs-se a caminho da cidade. A noite estava fria e silenciosa. Via-se aqui e ali uma ou outra viatura e umas poucas pessoas. A maioria dos habitantes da cidade estava recolhida em suas casas, aguardando a consoada.
Pai Natal decidiu começar pelo Palmarejo. Afinal era dali que vinha a maior parte dos pedidos e os que mais pesavam no seu saco pelo que pensou que começando por ali, ficaria mais aliviado. Já não era assim tão novo e as costas reclamavam do peso do saco.
O bom velhinho ia consultando a lista e os endereços. Era muito complicado encontrar uma ou outra casa. Algumas ruas tinham nomes, mas outras não. E para complicar ainda mais a situação, não havia iluminação nas ruas. Estava um breu que até as renas, de vez em quando, davam pulinhos de susto, por qualquer barulho.
-Estejam calmas. Estamos em Cabo Verde. Aqui está-se tranquilo. O povo é de brandos costumes. Nada nos vai acontecer.
Nem deu seis passos, quando de repente, saídos de trás de uma arvores, surgiram dois homens que se aproximaram rapidamente do Pai Natal e o cercaram.
- Omi grandi, passa pa li kel saku sinon nu ta limpau.
-Mas o que é isso? Não estou a entender…
-E isso entendes? – Um deles sacou do bolso um canivete suíço e apontou a barriga do pai natal
As renas ao verem aquela cena desataram a correr, assustadas.
-Renas voltem cá. Dasher, Dancer, Dixen, Rodolfo – de nada adiantou ao Pai Natal gritar pelas suas renas pois as mesmas desapareceram, deixando o Pai Natal sozinho com os meliantes.
- Digam-me o que querem que eu vos dou. Eu sou o Pai Natal e satisfaço o desejo de todos.
-Nos deseju é fika ku bu sacu y sem konbersu tcheu.
E dito aquilo atiraram com o pai natal para o chão, imobilizaram-no e levaram o saco. Antes, deram-no uma coça, deixando-o prostrado no chão, a gemer.
O pai natal foi encontrado pelo carro do Piquete, meia hora mais tarde. Não conseguiu descrever a cara dos bandidos, argumentando que por falta de iluminação não pudera lhes ver a cara. As renas foram recuperadas uma hora depois, pois alguém que as viu correndo pelas ruas ligou para o 132
- Alô! É da polícia? Venham depressa que vi agora mesmo oito vacas a correr pela avenida Santiago. Mas tenham cuidado que são umas vacas estranhas. Têm uns chifres que nunca vi. – Até na noite do natal essas vacas passeiam pelas ruas. Mas é só na Praia mesmo!
O saco foi encontrado três dias depois do natal, todo sujo e amassado, na lixeira municipal, pelos homens da recolha do lixo. Chamou-lhes a atenção aquele enorme saco vermelho, e como tinham ouvido a notícia de que o saco do Pai Natal fora roubado recolheram-no e entregaram-no à policia.
Os praienses ficaram sem prendas. Em todas as casas foi um deus-nos-acuda. Os pais não sabiam como explicar aos filhos do porquê de terem ficado sem prendas. Os adultos, desconsolados, iam desfiando um rosário de nomes para os meliantes e, pela primeira vez, a Praia-capital uniu-se, saindo à rua para exigir mais iluminação e segurança.
Aquelas seriam, sem dúvida, as duas maiores prendas que a Praia poderia ganhar.
Da Manifestação
Ontem lia o Expresso das Ilhas online e chamou-me a atenção uma notícia sobre uma marcha de estudantes para protestar contra a criminalidade e, mais particularmente, contra a morte de um colega (assassinado durante o festival que aconteceu fim de semana passado na Gambôa). Segundo o texto, houve uma participação massiva e, como não podia deixar de ser, estabelece comparação com a manifestação contra a violência organizada por um grupo de cidadãos e publicitada nos blogues.
Por razões de natureza pessoal ,eu ( que já tinha saído de casa a caminho do ponto de encontro) não fui a manifestação, para a qual cheguei a preparar o meu cartaz, e só na segunda-feira ao ver imagens da RTP África comprovei a fraca participação. Mesmo assim não acho que tenha sido um fracasso total porque pelos menos falou-se no assunto e mesmo quem não foi não terá ficado indiferente à coisa.
Alguem que comentou o texto do Expresso disse que dirigia-se ao local com amigos para participarem mas quando perceberam que a pessoa X estava à frente da manifestação desistiram...
Bom, claro que é lamentável que alguem desista de apoiar uma causa em que acredita só porque não morre de amores por alguem que está metido no assunto. Mas isso levou-me a pensar naquilo que eu já tinha referido: tentar não fazer destas iniciativas uma coisa de uns quantos (maioritariamente estigmatizados com o rótulo de elite) e sim engajar devidamente toda a população. Porque não envolver a Pró-Praia e outras associações e ONGs, as escolas, os líderes comunitários, as igrejas...
No entanto, é vergonhoso que as pessoas fiquem em suas casas e escritórios porque quem está à frente da iniciativa é "aquela malta do costume, que quer estar metida em tudo". Putz.
E também não ajuda nada estarem a associar estas iniciativas a motivos políticos. Era o que faltava: agora não se pode protestar contra caçu-bodi sem se ser rotulado de agitador político?!
quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007
Do Cinema
*A temporada de prémios de cinema nos EUA já começou e hoje foram anunciados os nomeados para os Globos de Ouro (tidos como um dos maiores indicadores do Óscar). Parece que a temporada de estreias de outono foi tão boa que favoritos aos prémios é o que não falta.
Eu por cá vou aguentando como der a expectativa de deitar os olhos a Sweeney Todd. Em quase todas as cinco vezes (com esta seis) que o meu querido Johnny Depp se juntou a Tim Burton resultaram filmes que entraram para a minha colecção de favoritos (por exemplo: o fabuloso Eduardo Mãos de Tesoura, o mais belo filme de terror A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, e mesmo a delícia que é a animação A Noiva Cadáver). Agora os dois juntaram-se para filmar um musical que sempre despertou a minha curiosidade: já ouvi falar tanto de Sweeney Todd, que esteve em cena na Brodway durante anos e anos, que mal posso esperar para o ver, ainda que seja no cinema.
Há também There Will Be Blood, que me trás de volta um autor que nunca me decepcionou (Paul Thomas Anderson) e aquele que continua (desde Em Nome do Pai) a ser um dos meus actores favoritos e que acredito piamente ser dos melhores do mundo: o irlandês Daniel Day-Lewis.
Há também There Will Be Blood, que me trás de volta um autor que nunca me decepcionou (Paul Thomas Anderson) e aquele que continua (desde Em Nome do Pai) a ser um dos meus actores favoritos e que acredito piamente ser dos melhores do mundo: o irlandês Daniel Day-Lewis.
* O que fazer quando ficamos totalmente apanhados por uma música, só que é a música que passa nos créditos finais de um filme?
a) Podemos mandar um mail a aquela amiga que vive na “metrópole” e tem acesso a uma loja onde se pode comprar bandas sonoras de filmes.
b) Podemos pedir àquele amigo pirata informático que nos saque a música da net.
c) Entretanto, podemos pôr o filme no dvd várias vezes ao dia e carregar “farward” até aos créditos finais e ouvir a música over and over again.
O Mundo é Estranho
De vez em quando aparece em algum blog da bloguesfera crioula um tipo de post que me intriga: um post a negar tristeza. O blogueiro da ocasião escreve o post em resposta a algum comentário que lhe fizeram (no blog ou por mail) a garantir que não, não está triste.
Ele/a pode realmente não estar triste mas isto é algo de que me dei conta há muito: algumas pessoas têm mesmo relutância em assumir a tristeza. Como se fosse um sentimento torpe e indigno do ser humano. Como se fosse algo de que nos devessemos envergonhar.
Lembrei-me agora de uma vez em que encontrei um amigo visivelmente abatido e perguntei-lhe porque estava triste. Respondeu-me vivamente: Eu não estou triste! Eu não sou pessoa de estar triste! Estou só um pouco cansado e a pensar numas coisas...
E o mais estranho é que este meu amigo não sente o mesmo pudor quando admite, entre um arroto e outro, que está perdido de bêbado. Ou seja, estar bêbado é mais digno do que estar triste.
Este mundo é tão estranho que agora é proíbido sucumbir-se à tristeza vez por outra. Ou se calhar a questão é tão somente não assumir publicamente. Podemos estar com alma aos prantos porque alguem nos partiu o coração, porque temos saudades da familia lá longe, porque o trabalho vai mal, o marido é um sacana, estamos sem dinheiro, o nosso gato morreu, há fome no mundo, uma bomba matou 3000 pessoas... mas tudo o que importa é não deixar o mundo se aparceber disso, porque de repente a tristeza é algo de que nos devemos envergonhar.
Daí que às vezes eu também me pergunto se a vida é assim tão fácil para os outros ou se eles apenas são melhores a fingir que sim.
Daí que às vezes eu também me pergunto se a vida é assim tão fácil para os outros ou se eles apenas são melhores a fingir que sim.
terça-feira, 11 de Dezembro de 2007
Comentário
Achei relevante transportar um comentário ao post sobre o filme Tropa de Elite, porque este foi feito ontem e como o post já está no arquivo o mais certo é que este comment passe despercebido. E também porque queria aproveitar para fazer chegar a troca de ideia a mais gente.
Obikuelu disse...
oi, vi o TROPA DE ELITE e fiquei com a impressão que faltou alguma coisa na tua análise. Achei o filme mt bom, um verdadeiro soco no estômago. Um grande desmonte de raciocínios pré-concebidos sobre um monte de coisa que rola na sociedade de lá e de cá, embora tem coisa que o filme retrata que passa longe da nossa realidade. De resto a particularidade que detectei é mostrar que todo mundo erra e paga caro. Aliás o filme não julga o capitão Nascimento, mas mostra os erros de que de certeza ele veio a ser acusado. Se não o porquê do relato da perspectiva da policia.O filme é duro e as cenas de violência são muito fortes, principalmente o diálogo. "...então senta o dedo nessa coisa.." o capitão ordenando o policial para eliminar bandidos e policiais corruptos. A parte isso achei o filme mt bom e válido fornecendo mts elementos de reflexão.
oi, vi o TROPA DE ELITE e fiquei com a impressão que faltou alguma coisa na tua análise. Achei o filme mt bom, um verdadeiro soco no estômago. Um grande desmonte de raciocínios pré-concebidos sobre um monte de coisa que rola na sociedade de lá e de cá, embora tem coisa que o filme retrata que passa longe da nossa realidade. De resto a particularidade que detectei é mostrar que todo mundo erra e paga caro. Aliás o filme não julga o capitão Nascimento, mas mostra os erros de que de certeza ele veio a ser acusado. Se não o porquê do relato da perspectiva da policia.O filme é duro e as cenas de violência são muito fortes, principalmente o diálogo. "...então senta o dedo nessa coisa.." o capitão ordenando o policial para eliminar bandidos e policiais corruptos. A parte isso achei o filme mt bom e válido fornecendo mts elementos de reflexão.
Não faltou alguma coisa na minha análise, Obikuelo. Faltou muita coisa. Porque foi uma análise ao de leve. Na verdade mais um comentário a uns poucos aspectos do filme do que uma análise e certamente não uma crítica.
Acontece que não tenho publicado as criticas que tenho escrito. Fiz uma critica mais completa e cuidada a Tropa de Elite que ficou guardada no meu portátil, como muito do que tenho escrito e que é bem mais digno de se publicar num blog. O So Pa Fla está infelizmente cada vez mais votado à escrita light, apressada, comentários do momento, onde frequentemente nem sequer há o cuidado de corrigir-se os erros da digitação e quase nunca o de escrever textos jeitosos. Um amigo meu diz que nunca viu ninguem com tamanha capacidade de se sabotar. Ele não conhece o meu amigo J.M.
Voltando a Tropa de Elite, tens aí uma afirmação curiosa. Parece que concluiste que o capitão Nascimento foi castigado e justificas com a narração em off que ele faz ao longo do filme. Não me parece que tenha sido assim. Parece-me que a narração do capitão Nascimento foi apenas uma opção técnica do filme e é justamente essa opção que suaviza enormemente as barbaridades do personagem (suavização que acredito ser intencional, visto o personagem ter tido por base um dos autores do argumento, um capitão do BOPE).
Mas em nenhum momento do filme dá-se a entender que ele foi punido. Ou estás a pôr a hipótese do aspira ter atingido a ele (matando-o) ao invés do traficante? Mas, nesse caso, não faria sentido a narração em off. Parece-me mais óbvio que o aspira André tenha cumprido a ordem e sido promovido e ele, o capitão Nascimento conseguido o que tanto queria: sair do BOPE. Afinal desde o inicio é ele que "pede pra sair".
De resto eu também achei o filme excelente (pensei ter passado esta ideia) não obstante uma certa aura de heroísmo com que o batalhão de operações policiais especiais foi retratado.
Já agora (mais um post longo, ai ai): interessante teres trazido o filme de novo à baila justamente numa altura em que se prepara uma marcha contra a violência na nossa cidade. Que achaste da cena em que o policia interrompe a marcha e das acusações que ele faz?
Eu acho que vale a pensa fazer comparações, apesar da nossa realidade ser (ainda) diferente da retratada no filme. Principalemnte se estas comparações nos ajudarem a lidar com a nossa realidade e evitar o que (pode) está(r) por vir.
Update
Do post das sondagens. Por alguma razão que ainda não consegui descortinar (cada vez tenho menos paciência para o blogger e os seus mistérios) não consigo publicar uma sondagem com mais de cinco campos de opção. O que estraga a ideia de propôr a votação do melhor blog de 2007, que incluiria um mínimo de dez candidatos.
Aviso que não vou quebrar muito a cabeça para resolver isso, pois no fundo é só uma brincadeira. Mas se não conseguir publicar a lista através da parafernália da sondagem simplesmente ponho os candidatos num post e convido quem quiser a votar na caixa de comentário e/ou mail do blog.
Post eco
Um eco aos posts publicados no Pedrabika, SondiSantiagu e De Olho na Praia.
Coincidentemente, domingo ao fim da tarde eu e uma pessoa amiga conversavamos sobre a insegurança que se vive nesta cidade. O como fomos abdicando de tantas coisas que faziam parte das nossas rotinas (um simples passeio a pé ao fim da tarde é quase suícidio); a sensação de abandono, de estarmos por nossa conta, já que a policia não consegue (não tenta?) controlar a onda de assaltos; e a motivação destes dilinquentes, que em muitos casos já têm nos caçu bodi um estilo de vida.
Eu parabenizo e alinho na iniciativa dessa marcha contra a violência e espero que se faça uma divulgação massiva (na rádio, TV, jornais, cartazes nas escolas, boca a boca) para se conseguir o maior número possível de pessoas. Tem que se conseguir mobilizar uma grande fatia da população praiense (tarefa hercúlea, reconheço) e não apenas umas quantas dezenas de vitimas de assaltos, suas familas e amigos que receberam o e-mail ou leram os blogues indicados. Esta é a oportunidade de mostrar aos governantes que já chega de passividade, de permissividade. Cem, duzentas ou quinhentas pessoas não podem ser as únicas que se importam com essa situação. Há que conseguir uma verdadeira multidão (do tipo das que enchem os festivais de música) para fazer ouvir bem alto o grito de socorro. Sim porque é por socorro que tem que se pedir, alguem que nos acuda.
Assino por baixo mas faço também questão de levar um cartaz que diga qualquer coisa como: Sociólogos, Psicólogos e Assistentes Sociais nos Bairros Carenciados Já ! Ou então: Politica de Reinserção Social (a sério) Precisa-se.
Assino por baixo mas faço também questão de levar um cartaz que diga qualquer coisa como: Sociólogos, Psicólogos e Assistentes Sociais nos Bairros Carenciados Já ! Ou então: Politica de Reinserção Social (a sério) Precisa-se.
Dia 14 de Dezembro
Marcha contra a violência na cidade da Praia
Concentração: Gamboa
Horário: 18 horas
segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
Sondagem fechada/Sondagem aberta
Bem, a sondagem do So Pa Fla não chega a ser representativa do que pensam os cabo-verdianos mas, pelo menos fiquei a saber que a maioria da vintena de pessoas que têm votado sabe que Cabo Verde é África.
Mais uma vez, obrigada por votarem.
E abre em instantes a derradeira votação do ano, que vai ficar aberta por mais tempo de que o habitual. Seria giro se toda a bloguesfera e público da bloguesfera votasse para dar um tom mais oficial à coisa.Seria.
Aí vai então...
quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007
Soltas
* Relembrando os Mestres. O cd de Bau e Voginha já foi lançado na Praia e já toca lá em casa. Muito bom. Sublime a limpidez do som dos violões e a harmonia que se pressente entre os dois músicos.
É assim que se prova ter talento. Bau e Voginha não tiveram que fazer barulho e resmungar por aí. Tocaram, o seu talento foi reconhecido e premiado. Não, na verdade nós é que somos premiados com o talento dos dois ao alcance dos nossos ouvidos.
Legendas. O Abrãao convida o pessoal a ir ver o Bento Oliveira (convite que eu recomendo toda gente a aceitar) e dá uma alfinetada bem-humarada a apropósito da história de se entender ou não o crioulo de todas as ilhas.
Fico verdadeiramente contente com todos aqueles que entendem tudo tudinho do que se diz no crioulo de todas as ilhas. Pela minha parte repito, sem nenhum orgulho mas também sem vergonha, que não entendo todas as palavras do crioulo (seja de que ilha for). Ainda no outro dia o César teve que me explicar o que é bianda que, pasme-se, é crioulo de Santiago.
Claro que numa conversa eu consigo perceber (pelo contexto) aquilo que me diz qualquer cidadão destas ilhas mas, repito, não percebo todas as palavras. Estou aqui a lembrar-me a primeira vez que vi uma peça dos Juventude em Marcha (grupo teatral de Santo Antão) na TV. Não entendi quase nada.
The Gang of Eight. No outro dia falava dos livros que trouxe lá da doação dos americanos e esqueci-me deste. É um livro que reúne o melhor de oito dos maiores cartoonistas politicos de sempre, dos EUA: Tony Auth (do Philadelphia Inquirer), Paul Conrad (do Los Angeles Times), Jules Feiffer (do Village Voice), Jeff MacNelly (do Chicago Tribune), Doug Marlette (do Charlotte Observer), Mike Peters (do Dayton Daily News), Paul Szep (do Boston Globe) e Don Wright (do Miami News) escolheram cada um vinte dos seus melhores cartoons para este livro organizado por Tom Brokaw (figurão da NBC News).
O livro é obviamente muito divertido, fazendo uma sátira brilhante à política interna e externa dos EUA, bem como a questões sociais (como o racismo, desemprego, aborto, ect). Porém, o que achei incrível é que ele foi publicado em 1985 mas muitos dos cartoons continuam tão actuais e outros quando confrontados com o presente assumem um novo significado, tornando-os por vezes ainda mais engraçados.
Num dos cartoons de Paul Szep vê-se uns iranianos vestidos à homem das cavernas, a desenharam fórmulas quimicas na parede de uma caverna. A legenda diz qualquer coisa como: Os iranianos afirmam que podem fazer as suas próprias armas quimicas.
Caso para se dizer, vinte anos depois...who's laughing now?
O Mundo é Estranho
Um grupo de mulheres indianas que se autodenomina gulabi gang, ou gangue rosa ( por usarem saris cor-de-rosa), juntou-se na região de Banda, norte da Índia, para fazer justiça com as próprias mãos.
Elas já deram surras em homens que abandonaram ou bateram nas suas mulheres, e denunciaram práticas corruptas na distribuição de comida aos pobres. Quando necessário, as senhoras usam paus e machados para defesa.
Banda fica numa das áreas mais pobres da Índia e na sua sociedade, baseada em castas e dominada por homens, as mulheres sofrem muito com a violência sexual e doméstica.
Como diria Fernando Pessa, e esta, hein?
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